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Agricultura intensiva aumenta riscos de pandemia, aponta estudo

Exploração das terras para a agricultura intensiva torna mais provável surgimento de pandemias como a de COVID-19 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 05. agosto 2020 - 17:20
(AFP)

A exploração de terras para agricultura intensiva, que aproxima humanos e animais silvestres cujo habitat é perturbado, torna mais provável o surgimento de pandemias como a de COVID-19, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira.

Segundo este estudo publicado na revista Nature, há um risco aumentado de que doenças causadas por animais selvagens sejam transmitidas aos seres humanos devido à evolução do uso da terra.

A ONU considera que três quartos das terras do planeta foram extensivamente degradadas pelas atividades humanas desde o início da era industrial.

Um terço da terra e três quartos da água doce são usados para a agricultura.

Esse uso da terra para a agricultura progride todos os anos, às vezes em detrimento de ecossistemas como florestas, que abrigam animais silvestres que possuem muitos patógenos potencialmente transmissíveis ao homem.

A equipe do University College London (UCL) analisou 6.800 ecossistemas em todo o planeta e descobriu que os animais conhecidos como portadores de patógenos (morcegos, roedores, pássaros) são mais numerosos em paisagens fortemente modificadas por seres humanos.

Resultados que, segundo eles, provam a necessidade de mudar a maneira como a humanidade explora as terras, para reduzir os riscos de futuras pandemias.

"A maneira como os seres humanos modificam paisagens ao redor do mundo, transformando florestas em terras agrícolas, tem impactos constantes em muitas espécies de animais selvagens, causando o declínio de algumas e a persistência ou aumento de outras", disse Rory Gibb, pesquisador da UCL.

"Nossos resultados mostram que os animais que persistem em ambientes dominados por humanos são aqueles que podem ser portadores de doenças infecciosas que podem se espalhar para o homem", acrescentou.

A COVID-19, que contaminou mais de 18 milhões de pessoas em todo o mundo e causou mais de 700.000 mortes, provavelmente passou de animal para homem antes de ser transmitido de humano para humano.

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