Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Autoridades alemãs anunciaram nesta quarta-feira que estão investigando um caso de suposta espionagem por parte de um agente que, segundo a imprensa, seria um militar a serviço dos Estados Unidos e o segundo caso deste tipo revelado há poucos dias

(afp_tickers)

A justiça alemã anunciou nesta quarta-feira que investiga a existência de um segundo suposto espião duplo que, segundo a imprensa, trabalharia para os Estados Unidos, um assunto que tensiona ainda mais as relações com Washington.

Este caso se soma ao de um agente duplo que trabalhava para os serviços de inteligência alemães (BND) e que teria trabalhado para a CIA, revelado na sexta-feira passada.

As autoridades não indicaram para que país o novo suposto espião trabalhava.

No entanto, os meios de comunicação se referem a um oficial da Bundeswehr trabalhando a mando dos Estados Unidos. O caso é considerado mais grave que o primeiro, segundo estas fontes.

Berlim negou-se a comentar estas informações e disse que uma investigação está sendo realizada. Apenas o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, comentou o caso, ressaltando que "a espionagem é um tema muito grave".

Interrogada durante uma coletiva de imprensa em Berlim, a chefe do governo alemão, Angela Merkel, evitou o assunto e disse que cabia ao procurador falar sobre isso. "Não posso fazer isso aqui", disse.

Merkel indicou que estão ocorrendo reuniões entre Estados Unidos e Alemanha, mas declarou que não poderia se pronunciar sobre o resultado.

"Clima de desconfiança"

Um clima de desconfiança já havia se instalado entre Berlim e Washington desde a descoberta, no ano passado - graças às revelações do ex-assessor da agência de inteligência americana (NSA), Edward Snowden - de um programa de espionagem em grande escala, que afetou inclusive Merkel, cujo telefone celular foi grampeado.

"Desde esta manhã, os agentes da polícia federal estiveram vasculhando em Berlim o domicílio e o escritório de um suspeito de espionagem. Nenhuma detenção ocorreu", indicou a procuradoria federal em um comunicado.

Um porta-voz do ministério da Defesa indicou à AFP que "estão sendo feitas investigações no seio do ministério" sobre estas suspeitas de um segundo caso de espionagem, confirmando, assim, o que havia sido adiantado pelo jornal Süddeutsche Zeitung.

De acordo com a edição on-line do semanário Der Spiegel, o chefe da CIA, John Brennan, conversou por telefone na tarde de terça-feira com o coordenador dos serviços secretos da chancelaria, Klaus-Dieter Fritsche.

O ministério alemão das Relações Exteriores recebeu na manhã desta quarta-feira o embaixador dos Estados Unidos em Berlim, John B. Emerson, sobre o suposto caso de espionagem, indicou o porta-voz do ministério, Martin Schäffer, durante uma coletiva de imprensa. O embaixador já havia sido recebido no ministério na última sexta-feira.

O embaixador não foi convocado e a reunião desta quarta-feira ocorreu a seu pedido, embora o ministério também desejasse se reunir com o diplomata, acrescentou Schäffer.

"Foi dito a ele como é importante que o governo americano colabore ativamente" sobre este tema, declarou o porta-voz.

Em uma entrevista publicada nesta quarta-feira no jornal local Saarbrücker Zeitung, o ministro alemão das Relações Exteriores, Franl-Walter Steinmeier, manifestou seu descontentamento com os Estados Unidos.

"A tentativa de aprender em segredo algo sobre a atitude da Alemanha não apenas é inapropriada, mas também é completamente desnecessária", afirmou.

Entre os documentos que o agente duplo teria transmitido à CIA figuram informações sobre a comissão de investigação do Bundestag, a câmara baixa do Parlamento alemão, que justamente foi criada em abril para determinar a magnitude da espionagem dos Estados Unidos contra a Alemanha e seus sócios.

AFP