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Alimentos crus para animais podem conter bactérias resistentes

Três quartos das amostras de alimentos com carne crua para animais compradas e testadas na Suíça excederam os limites recomendados de bactérias conhecidas por causar infecções gastrointestinais afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 16. outubro 2019 - 00:04
(AFP)

Refeições de carne crua populares para cães e gatos podem estar cheias de bactérias resistentes a vários medicamentos, representando um sério risco para animais e humanos, relataram cientistas nesta quarta-feira.

Três quartos das amostras compradas e testadas na Suíça excederam os limites recomendados de bactérias conhecidas por causar infecções gastrointestinais, e mais da metade tinha bactérias resistentes aos medicamentos criados para matá-las, relataram os pesquisadores na revista Royal Society Open Science.

"É realmente preocupante termos encontrado bactérias produtoras de EBSL em mais de 60% das amostras", disse a autora principal do estudo, Magdalena Nuesch-Inderbinen, pesquisadora da Universidade de Zurique, referindo-se a uma enzima que torna alguns antibióticos ineficazes.

"Elas incluem vários tipos de E. coli, que podem causar infecções em humanos e animais".

As vendas de alimentos crus para animais de estimação - às vezes chamados de "alimentos crus biologicamente apropriados", ou Barf, na sigla em inglês - aumentaram nos últimos anos, especialmente para cães. Diz-se que dietas do tipo paleolítica aumentam a vitalidade e imunidade caninas, embora haja pouca pesquisa para respaldar tais alegações.

De fato, associações médicas veterinárias nos Estados Unidos e no Canadá levantaram preocupações sobre alimentos com carne crua para animais de estimação, com relatos mostrando que são uma fonte de Salmonella e yersiniose infecciosa em cães.

E isso, disse Nuesch-Inderbinen à AFP, é um problema para os humanos.

"As dietas à base de carne crua podem estar contaminadas com bactérias que são resistentes a vários antibióticos, incluindo aqueles classificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como extremamente importantes para a medicina humana", afirmou por e-mail.

"Há evidências crescentes de que esses patógenos representam um risco de doenças infecciosas para os humanos, não apenas durante o manuseio da ração, mas também pela contaminação das superfícies domésticas e pelo contato próximo com os cães e suas fezes", acrescentou.

Estima-se que há 140 milhões de cães e gatos na União Europeia e uma quantidade similar na América do Norte.

De maneira mais geral, a resistência a antibióticos se tornou uma grande crise de saúde em todo o mundo.

"A situação das bactérias resistentes a vários medicamentos saiu do controle nos últimos anos", disse o coautor Roger Stephan, professor do Instituto de Segurança e Higiene dos Alimentos da Universidade de Zurique.

O uso indiscriminado e às vezes inadequado de antibióticos permitiu que as bactérias sobreviventes se transformassem em superbactérias que ultrapassam o desenvolvimento de novos medicamentos.

Devido ao uso excessivo de antibióticos na produção pecuária, os animais criados para consumo se tornaram um importante reservatório de resistência antimicrobiana.

"Como alimentos convencionais para animais de estimação, a maioria das dietas à base de carne crua é baseada nos subprodutos de animais abatidos para consumo humano", observa o estudo.

Para descobrir exatamente o quão contaminados estão os alimentos crus para animais, os pesquisadores testaram 51 amostras de diferentes fornecedores na Suíça, compradas em lojas e na Internet.

"Aconselhamos a todos os donos de cães e gatos que desejam alimentar seus animais de estimação com uma dieta 'Barf' que manuseiem os alimentos com cuidado e mantenham rígidos padrões de higiene", disse Nuesch-Inderbinen.

"Os donos de animais de estimação devem estar cientes do risco de que seus animais estejam portando bactérias resistentes a vários medicamentos e possam espalhá-las", concluiu.

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