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Almagro alerta que El Salvador segue caminho similar a Venezuela e Cuba

O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, em Miami, na Flórida afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 05. maio 2021 - 21:17
(AFP)

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, pediu nesta quarta-feira (5) ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele, para respeitar a independência de poderes e a abandonar o caminho percorrido pela Venezuela, Cuba, Nicarágua e Bolívia.

"Se o presidente Bukele agir incorretamente em um futuro próximo, tomará o caminho onde já estão Venezuela, Cuba, Nicarágua e Bolívia", disse o diplomata uruguaio em um fórum em Miami.

"Eles já estão lá", acrescentou a respeito dos governos desses países, que no passado qualificou como sendo ditatoriais.

"Com poderes judiciários cooptados, com uma dinâmica de perseguição política", afirmou.

Almagro pediu à região que impeça "mais um país" de se mover nessa direção. "Vamos empurrá-lo para esse lado? Não podemos fazer isso. Temos que ajudar a fazer a democracia funcionar".

Desde que foi instalada no último sábado, a nova Assembleia unicameral de El Salvador - com predominância dos partidos aliados a Bukele - retirou do cargo magistrados do tribunal constitucional e o procurador-geral, em uma decisão criticada nacional e internacionalmente.

Bukele, rival do líder venezuelano Nicolás Maduro, e que já foi elogiado por Eduardo Bolsonaro, filho do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, defende que a remoção desses cargos públicos está assegurada pela Constituição.

Mas "esse não é o ponto", afirma Almagro.

"A questão é que a democracia, quando exercida com determinada maioria - a maioria de um terço - não implica que deva haver cooptação de poderes. Implica que a independência dos poderes deve ser respeitada".

Sobre este assunto, disse ter visto "coisas ridículas nestes dias" e deu como exemplo a nomeação, na Venezuela, de um Conselho Nacional Eleitoral por uma Assembleia que a oposição considera ilegítima.

Isso "é um absurdo do começo ao fim", e apontou a corrupção, a desigualdade e a violência como os principais problemas da região.

"A corrupção venezuelana é a coisa mais nojenta em termos de corrupção que existiu na história da humanidade", continuou.

Almagro acusou Cuba e o dinheiro do governo bolivariano da Venezuela de serem os principais desestabilizadores da região.

"Se há algo que eu gostaria de fazer mais do que qualquer coisa neste mundo, é buscar o dinheiro bolivariano em cada uma das campanhas no hemisfério, do Canadá à Terra do Fogo".

O secretário-geral da OEA participou de um fórum organizado pelo InterAmerican Institute for Democracy, em Miami, onde se reuniram fisicamente os ex-chefes de Estado da região e o presidente em fim de mandato do Equador, Lenín Moreno.

Alguns dos convidados usavam máscaras, mas outros não as usaram depois que o estado da Flórida, no sul dos Estados Unidos, eliminou as restrições relacionadas à covid-19.

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