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América Latina está longe de acabar com exclusão de negros, diz Banco Mundial

Esteban Cipriano, encarregado de programas de educação contra o racismo do grupo ID_BR, fala aos funcionários da marca de moda Maria Filo perto de um cartaz onde se lê a palavra "Raça" no Rio de Janeiro, 17 de novembro de 2017 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 30. agosto 2018 - 01:08
(AFP)

A América Latina tem uma dívida com sua população de origem africana: embora tenha registrado melhorias em sua condição de vida nos últimos anos, está longe de erradicar sua exclusão socioeconômica, alertou o Banco Mundial em um relatório divulgado nesta quarta-feira (29), que citou o Brasil como exceção a esta regra.

Os afrodescendentes são um quarto da população latino-americana, mas ocupam parte desproporcionalmente alta dos pobres da região, segundo estudo divulgado na Costa Rica.

Germán Freer, especialista em desenvolvimento social do Banco Mundial, indicou que a melhoria nas condições de vida dos afro-latino-americanos reflete um "processo macro" que a região vive, com uma expansão da classe média e 80 milhões de pessoas que saíram da pobreza.

"Os afrodescendentes se beneficiaram disso", comentou Freer à AFP. "Embora tenham se beneficiado muito da redução da pobreza, não se beneficiaram tanto quanto o resto da população", acrescentou.

Diante disso, o informe destaca que "faltam políticas diferenciadas para fechar os abismos" sociais que marginalizam os afrodescendentes do restante da população.

O boletim indicou que os países latino-americanos em geral não criaram políticas específicas para a população negra, e as existentes começaram a ser desenvolvidas recentemente.

Uma exceção é o Brasil, onde mora a maioria dos afro-latino-americanos e que conta com um ministério da igualdade racial focado na população de origem africana com políticas de inclusão educativa e trabalhista.

No entanto, nos últimos anos a crise econômica atingiu este ministério e prejudicou seu trabalho, segundo Freer.

O informe destacou que, somando Brasil, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Uruguai, os afrodescendentes são 38% da população, mas são a metade das pessoas em pobreza extrema e têm menos anos de escolaridade, mais desemprego e ocupam menos cargos de tomada de decisões.

O relatório foi divulgado na Costa Rica em grande parte como reconhecimento a que o país tem a primeira vice-presidente da América Latina, Epsy Campbell, que também é ministra das Relações Exteriores.

"Eliminar as condições que limitam a inclusão plena dos afrodescendentes promoverá uma sociedade latino-americana mais justa, próspera e igualitária", comentou Jorge Familiar, vice-presidente dp Banco Mundial para a América Latina e o Caribe.

O Banco Mundial recomendou aos países estudar em profundidade as causas pelas quais a população negra sofre condições de desigualdade e desenvolver políticas que as ataquem diretamente.

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