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O navio, de 290 metros de comprimento, é objeto de uma grande operação para ser rebocado até Gênova (noroeste da Itália)

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É temporada de alimentação no maior santuário marinho da Europa e grupos de baleias levam seus filhotes para a costa italiana, mas ambientalistas alertam que os animais correm risco por causa das substâncias tóxicas que vazam do navio de cruzeiro acidentado Costa Concordia.

Em 2012, o luxuoso navio afundou ao colidir em rochas na costa da ilha toscana de Giglio, matando 32 pessoas e dando início a uma operação de salvamento sem precedentes planejada para terminar este mês, com os destroços flutuantes do navio sendo rebocados mais de 200 milhas náuticas (uns 370 km) ao norte, no porto de Gênova, onde serão desmontados.

O movimento ambientalista Greenpeace e o principal grupo ecológico italiano, Legambiente, deram o sinal de alerta de que o casco do navio danificado pode não suportar o estresse da viagem de quatro dias e se romper, liberando uma quantidade nociva de metais pesados, petróleo, plásticos e esgoto no mar.

É mais provável que se mantenha intacto, mas deixe um rastro de destroços e deixe vazar parte dos estimados 263 mil metros cúbicos de água contaminada que estão dentro da embarcação ou as cerca de 100 toneladas de combustível deixadas para trás quando os tanques foram esvaziados.

"O Concordia cruzará uma área protegida, lar de golfinhos e baleias cachalote, assim como baleias-fin que trazem seus filhotes para cá nesta época do ano para se alimentar nas águas férteis da costa de Gênova", disse à AFP Giorgia Monti, ativista do Greenpeace.

"Estamos muito preocupados com os efeitos que vazamentos ou destroços poderiam ter sobre eles", acrescentou, lembrando que fragmentos como cabos, móveis envernizados ou aparelhos eletrônicos liberam substâncias que são prejudiciais ao sistema reprodutor dos mamíferos.

A Costa Crociere, proprietária do navio e a maior operadora de cruzeiros da Europa, insiste em que a quantidade de substâncias liberadas seria comparável ao descarte de qualquer navio que cruza a região, uma das de maior tráfego do Mediterrâneo.

Dez barcos vão acompanhar o Concordia, subindo o canal da Córsega, juntamente com equipes que terão a missão de coletar quaisquer destroços, fazer testes para substâncias tóxicas e detectar a aproximação de golfinhos e baleias para evitar colisões.

Entre os equipamentos de emergência a ser usados em caso de vazamento tóxico do navio estão 800 metros de boias de contenção - uma barreira flutuante temporária que ajudará a conter um eventual vazamento - e sensores infravermelhos para detectar petróleo na água à noite.

Embora a frota vá viajar a uma velocidade de apenas 2 nós/hora (3,7 km/h) por razões de segurança, uma mudança brusca no clima deixaria o navio à mercê das ondas.

Assim que chegar a Gênova, operários vão drenar a água de dentro da embarcação, dividi-la em três partes e desmantelá-la, numa operação que deve durar cerca de dois anos.

Enquanto isso, a Costa Crociere deve iniciar imediatamente os esforços para limpar a região do naufrágio, na costa de Giglio, e devolver à ilha a sua condição original.

AFP