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Aplicativo de rastreamento do coronavírus preocupa no Catar

Vendedor olha pela janela da sua loja na capital do Catar, Doha, em 17 de maio de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 25. maio 2020 - 10:49
(AFP)

Um aplicativo de rastreamento de pessoas infectadas pelo novo coronavírus, cujo uso é obrigatório no Catar sob pena de prisão, gera críticas sem precedentes, forçando as autoridades a tranquilizarem a população desse pequeno emirado.

Vários países lançaram aplicativos para telefones celulares com o objetivo de rastrear os movimentos das pessoas infectadas pelo vírus e alertar aqueles que estiveram em contato com elas, permitindo assim que as autoridades monitorem a disseminação da COVID-19.

Ativistas que militam pela proteção dos dados pessoais alertam sobre os riscos desse tipo de aplicativo para localizar usuários.

Lançada em abril, a versão do Catar exige que os usuários do Android autorizem o acesso às suas fotos e vídeos, assim como a permissão para fazer chamadas, o que gerou muitas críticas.

A instalação do aplicativo "Ehteraz" ("cautela", em árabe) é obrigatória para todos os cidadãos e residentes do Catar, um país que possui uma das maiores taxas de infecção por habitante.

As medidas tomadas para conter a pandemia neste emirado estão entre as mais rigorosas do mundo. Uma pessoa que não usa máscara em público pode ser condenada a até três anos de prisão.

Cerca de 44.000 dos 2,75 milhões de habitantes do país testaram positivo para a COVID-19 (1,6% da população), com 23 mortes registradas.

- "Compreensão" -

A obrigação de instalar o aplicativo se dá em meio ao risco de um aumento das infecções nos países árabes, devido às aglomerações do Eid al-Fitr, que comemora o fim do Ramadã.

Em caso de descumprimento, as penas podem chegar a até três anos de prisão, embora as autoridades tenham dito que demonstrariam "compreensão".

Segundo Hiba Zayadin, da Human Rights Watch (HWR), existem dois problemas: o primeiro é que "muitos trabalhadores migrantes não têm telefones compatíveis que permitam baixar o aplicativo".

Além disso - acrescenta Zayadin -, o aplicativo é "muito invasivo" e supõe "uma violação perturbadora da privacidade".

A interface do aplicativo apresenta códigos de barras coloridos com o número de identidade do usuário: verde, para boa saúde; vermelho, para infectado; amarelo, para quarentena; e cinza, para os suspeitos de estarem infectados, ou em contato com contaminados.

O professor de Jornalismo Justin Martin, que vive no Catar, alertou as autoridades no Twitter para "não minarem" a confiança dos moradores, impondo o uso de um aplicativo com "autorizações perturbadoras".

As críticas ao governo no Catar são muito raras, e o desrespeito às autoridades é criminalizado.

Nos grupos no Facebook de expatriados em Doha, porém, várias pessoas expressaram preocupação com esse aplicativo e com seu impacto na privacidade.

Segundo Mohamed bin Hamad al-Thani, responsável do Ministério da Saúde, os dados coletados por meio desses aplicativos permanecem "totalmente confidenciais".

Fontes oficiais insistem no fato de que esses dados podem ser consultados apenas por pessoas que trabalham no setor da saúde.

"Haverá uma atualização do aplicativo Ehteraz, levando em conta essas preocupações", acrescentou Al-Thani em entrevista à televisão estatal na quinta-feira.

Uma nova versão do aplicativo foi lançada no domingo pela Apple e no Android, e "pequenas correções" são prometidas.

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