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A presidente do Fed, Janet Yellen, é vosta em 2 de julho de 2014

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Questionados no campo diplomático, os Estados Unidos ainda ditam as leis na economia global e estendem sua influência, como ficou claro no caso do banco BNP ou da dívida soberana argentina.

O exemplo do BNP Paribas é o que mais chama a atenção. Após longas negociações, o banco francês deverá pagar 8,9 bilhões de dólares de multa por operações realizadas fora dos Estados Unidos mas que envolveram países sob embargo norte-americano, como Irã, Sudão e Cuba.

A hegemonia do dólar permitiu às autoridades norte-americanas aplicarem uma multa recorde ao banco, em uma iniciativa que irritou as autoridades francesas.

Esta "Lex Americana" também mostrou sua força no polêmico caso da dívida soberana da Argentina, reestruturada depois da moratória de 2001.

Em uma decisão sem precedentes, a justiça americana condenou a Argentina a suspender o pagamento a seus credores até que o país pague também aos fundos especulativos, que litigaram durante anos nos tribunais.

Esse bloqueio, que a princípio deveria se restringir aos títulos da dívida emitida em Nova York, foi estendido às obrigações emitidas sob a legislação britânica, nominadas em euros e livres de qualquer relação com os Estados Unidos.

Fundos de investimentos já solicitaram um "esclarecimento" ao juiz americano que cuida do caso. "O tribunal deve esclarecer o porquê de a sua sentença não se referir ao pagamento das obrigações nominadas em euros", questiona uma moção apresentada à corte dos EUA e consultada pela AFP.

Para não deixar dúvidas sobre sua hegemonia, em julho entrou em vigor a chamada Lei FATCA, pela qual Washington se concedeu o direito de exigir a dezenas de milhares de bancos informações detalhadas sobre as contas de cidadãos norte-americanos no exterior.

A sanção para os bancos que não aceitem a ordem é a eventual proibição de operar no território norte-americano.

Esta ofensiva, que tem como objetivo combater a evasão fiscal, foi energicamente criticada por diversos países por seu evidente unilateralismo.

George Ugeux, ex-vice-presidente da Bolsa de Valores de Nova York, disse à AFP que, com esses três casos, os norte-americanos enviam uma mensagem "muito clara" a quem quiser escutá-los: "Não brinquem com a gente".

Para o analista, a maior potência econômica mundial ainda concentra um "considerável" poder baseado no dólar, principal moeda de reserva no mundo.

O advogado Fargad Alavi, disse em Washington à AFP que "as sanções econômicas passaram de uma resposta aos atentados de 11 de setembro a um instrumento de política externa".

Em relação à punição ao BNP Paribas, as autoridades francesas já convocaram a Europa a se mobilizar e a "ampliar" a utilização do euro.

Por outro lado, analistas também alertam que a expansão da "Lex Americana" poderia gerar efeitos nocivos para o país.

Se as normas americanas se tornarem muito "restritivas", os investidores podem se sentir tentados a "transferir" suas atividades a outros mercados, disse à AFP Barry Bosworth, economista da Brookings Institution.

Contudo, nos Estados Unidos, nem o Tesouro nem o meio empresarial temem uma redução do poder do dólar frente o euro.

"Não há um consenso europeu em relação aos Estados Unidos e também é preciso lembrar que o euro, há alguns meses, estava ameaçado de desaparecer", disse Ugeux.

AFP