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Astrofísicos detectam a origem de misteriosas explosões rápidas de rádio

Foto de 8 de novembro de 2016 e divulgada pela CHIME Collaboration em 4 de novembro de 2020 mostra o Telescópio CHIME, localizado no Observatório Radioastrofísico Dominion, uma instalação nacional para astronomia operada pelo Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 04. novembro 2020 - 18:11
(AFP)

Uma equipe de astrofísicos identificou um magnetar, uma variedade entre estrelas de nêutrons, como a fonte das misteriosas explosões rápidas de rádio originadas na Via Láctea, de acordo com vários estudos publicados nesta quarta-feira (4) na revista Nature.

Desde sua primeira detecção, em 2007, os cientistas tentaram encontrar uma explicação para essas explosões de ondas eletromagnéticas, também conhecidas pela sigla em inglês FRB (Fast Radio Burst).

Sua origem é especialmente difícil de determinar porque o evento dura apenas um milésimo de segundo. Além disso, até agora acreditava-se que eles só tinham origem em outras galáxias.

Em 2016, a detecção mais precisa até agora teve como alvo uma galáxia anã localizada a mais de 3 bilhões de anos-luz da Terra.

Em 28 de abril, os observatórios canadenses CHIME e US STARE2 detectaram esse fenômeno em uma mesma região do céu. Ambos o atribuíram ao magnetar SGR 1935 + 2154, localizado na Via Láctea, segundo estudos publicados na Nature.

"É a primeira explosão rápida de rádio que atribuímos a um objeto conhecido", disse Christopher Bochenek, astrofísico do US Caltech Institute e chefe do STARE2, em entrevista coletiva.

O magnetar - uma contração dos termos em inglês "estrela magnética" - é um "tipo de estrela de nêutrons com um campo magnético tão poderoso que deforma o núcleo de um átomo", explicou.

Este corpo celeste, pequeno em tamanho, mas com uma massa significativa - uma colher de chá de matéria pesaria vários bilhões de toneladas - gira sobre si mesmo no espaço de vários segundos.

O FRB detectado emitiu "em um milissegundo a mesma energia em ondas de rádio que o Sol durante 30 segundos", de acordo com Bochenek. Um sinal poderoso o suficiente para deixar uma marca em um receptor de celular depois de cruzar metade da galáxia, em uma jornada que durou 30 mil anos, acrescentou.

A descoberta é fruto de um esforço internacional, incluindo o telescópio canadense CHIME, a pequena rede americana de estações de rádio STARE2 e o radiotelescópio chinês FAST.

Os dados deste último, cujo estudo foi conduzido pelo Dr. Bing Zhang, da Universidade de Las Vegas, também serviram para entender melhor como funciona um magnetar, uma estrela nascida da implosão de uma estrela.

Além de seu forte campo magnético, esses objetos são conhecidos por produzir explosões de raios gama (GRB), que são as explosões de mais alta energia conhecidas no universo. A equipe do Dr. Bing detectou que o magnetar havia emitido 29, quase ao mesmo tempo que o FRB.

Para Bing, uma hipótese "prudente" é que todas as rajadas rápidas de rádio no Universo são emitidas por magnetares.

Uma teoria compartilhada por Daniele Michilli, uma astrofísica e membro do CHIME, que disse ter "detectado várias centenas de FRBs" e os estava "analisando" para confirmar sua origem.

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