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Bolívia pede à OEA censura a bloqueios 'incitados' por Morales

Camponeses e indígenas bolivianos, simpatizantes do ex-presidente Evo Morales, participam de protesto contra o segundo adiamento das eleições gerais no país em El Alto, Bolívia, 28 de julho de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. agosto 2020 - 20:51
(AFP)

A Bolívia pediu nesta sexta-feira (7) à Organização de Estados Americanos (OEA) que a comunidade internacional censure os bloqueios rodoviários "incitados" pelo ex-presidente Evo Morales contra o adiamento das eleições por causa da COVID-19, e pediu "imparcialidade" à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

A chanceler boliviana, Karen Longaric, denunciou perante o Conselho Permanente da OEA "ações violentas e desumanas" em protesto contra a reprogramação das eleições, entre elas ataques a ambulâncias e "dinamitaços" e "incêndios" que, segundo ela, impediram a passagem de insumos médicos essenciais.

"Nos últimos dias temos que lamentar o falecimento de pessoas por falta de oxigênio devido ao bloqueio de estradas e ataque a transporte de insumos", disse o chefe nacional de Epidemiologia da Bolívia, Virgilio Prieto.

Por causa disso, 23 pacientes morreram em La Paz, três em Cochabamba e cinco em Oruro, destacou, ao alertar para uma tendência de "expansão desmedida" do novo coronavírus no país.

"Diante desta situação alarmante, o governo solicita que os organismos eleitorais censurem estas violações fragrantes dos direitos humanos", exortou Longaric, durante uma sessão extraordinária do órgão executivo da OEA, solicitada por La Paz.

Grupos afins a Morales iniciaram na segunda-feira bloqueios de rotas em repúdio à decisão das autoridades eleitorais de adiar as eleições para 18 de outubro alegando razões sanitárias.

"As manifestações e os bloqueios promovidos por grupos afins ao ex-presidente Morales estão pondo em risco a vida de milhares de bolivianos, e isto não pode ser consentido pela comunidade internacional", disse Longaric à OEA.

"Morales semeia o caos", afirmou sobre o ex-presidente, asilado na Argentina desde dezembro após 14 anos no poder (2006-2019).

A Bolívia prevê voltar às urnas depois que a votação de 20 de outubro de 2019 foi anulada quando uma auditoria da OEA estabeleceu uma "manipulação dolosa" a favor de Morales, que renunciou em 10 de novembro.

- "Imparcialidade" da CIDH -

Longaric, que integra o governo interino de Jeanine Áñez, também pediu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão autônomo da OEA, a demonstrar "imparcialidade e objetividade" com a Bolívia.

"A CIDH não deve se tornar porta-voz e alto-falante de Evo Morales e de seus adeptos que controlam ilegitimamente a Defensoria do Povo na Bolívia", afirmou.

E acrescentou: "A parcialização ideológica da CIDH não ajuda a acabar com a violência na Bolívia, apenas desacredita esta importante instituição e aprofunda as divisões no nosso continente".

Pouco depois da apresentação de Longaric, a CIDH pediu ao Estado boliviano "para reforçar seus esforços para estabelecer um diálogo nacional e prevenir a escalada da violência".

A CIDH lembrou que o uso da força pública no contexto dos protestos "é um último recurso" e também pediu para exercer o direito de protesto de forma pacífica, tachando de "inadmissíveis" as agressões contra o pessoal de saúde e jornalistas.

O governo de Áñez anunciou nesta sexta o iminente uso da força pública para acabar com os cortes de via em seis dos nove departamentos (estados).

As eleições foram adiadas de 3 de maio para a primeira semana de agosto, depois para 6 de setembro e agora para 18 de outubro devido à pandemia, que deixou 3.465 falecidos e mais de 86.400 contagiados, em uma população de 11 milhões de habitantes.

- Argentina versus Almagro -

Os Estados Unidos condenam os bloqueios, assim como Brasil, Colômbia e Venezuela, representada pelo delegado do líder opositor Juan Guaidó.

Outros países, como Chile, Equador, Guatemala e Uruguai pediram o fim da violência e a unidade nacional para enfrentar a COVID-19.

A Argentina, no entanto, não mencionou os protestos e tachou de "unilateral" a decisão do TSE de adiar as eleições, acusando o "governo de fato" de Áñez de ser "reticente" à realização das eleições.

"Depois do golpe de Estado de novembro, esperamos que a Bolívia retome a via democrática através do voto popular e sem proscrições", disse a representante do governo de Alberto Fernández, Graciela Scarnati.

Além disso, investiu contra o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, que na quinta-feira condenou os bloqueios e afirmou que "é imoral e indigno jogar a política com a vida das pessoas", questionando o uso destes adjetivos.

"Isto não implica tomar partido", disse Almagro, ao reiterar estes conceitos na sexta-feira no Conselho Permanente.

"É indigno e imoral também não se referir aos controles de vias de trânsito de provisões médicas em tempos de pandemia", afirmou.

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