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Bolsonaro cancela acordo para comprar vacina chinesa contra a covid-19

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em 25 de agosto de 2020 em Brasília afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 21. outubro 2020 - 18:58
(AFP)

O presidente Jair Bolsonaro ordenou nesta quarta-feira (21) cancelar o acordo anunciado na véspera pelo Ministério da Saúde sobre a compra de milhões de doses da vacina chinesa CoronaVac, em meio a uma disputa com um dos seus grandes adversários políticos, o governador de São Paulo, João Doria.

"Já mandei cancelar (a vacina), o presidente sou eu. Não abro mão da minha autoridade, até porque estaria comprando uma vacina que ninguém está interessado por ela", disse a jornalistas em uma visita a um centro da Marinha em São Paulo.

Mais cedo o presidente alertou pelo Facebook que "O povo brasileiro NÃO SERÁ COBAIA DE NINGUÉM".

"Qualquer vacina, antes de ser disponibilizada à população, deverá ser COMPROVADA CIENTIFICAMENTE PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE e CERTIFICADA PELA ANVISA", escreveu Bolsonaro.

Na terça-feira, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou - após reunião com 27 governadores do país - que o governo federal havia chegado a um acordo com o estado de São Paulo, que está ajudando nos testes e na produção da vacina, para a compra de 46 milhões de doses com o objetivo de serem administradas a partir de janeiro, se comprovada sua segurança e eficácia.

Porém, nesta quarta-feira, o ministério explicou em nota que as palavras de Pazuello - que testou positivo para a covid-19 nesta quarta-feira - foram "mal interpretadas", afirmando que não havia um "compromisso" em adquirir vacinas, mas apenas um "protocolo de intenção".

A vacina em questão, CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório privado chinês Sinovac, foi testada na fase III - a fase final - em milhares de voluntários em seis estados do país, incluindo São Paulo, o mais afetado pela pandemia.

A vacina será produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, instituição pública fiscalizada pelo estado de São Paulo, governado por Doria.

Em sua postagem no Facebook nesta quarta-feira, o presidente se referiu à iniciativa como "a vacina chinesa de João Doria".

O governador do estado mais rico do país, em visita a Brasília, respondeu: "A vacina do Butantan é a vacina brasileira, de todos os brasileiros. Não avaliamos vacinas segundo critérios políticos ou ideológicos".

- "Ditadura chinesa" -

A disputa com o próprio ministro e com Doria saltou para o campo da geopolítica, com a crescente tensão entre China e Estados Unidos - primeiro e segundo parceiro comercial do Brasil, respectivamente.

Antes de sua mensagem, Bolsonaro havia sido questionado no Facebook por um internauta que lhe disse: "não compre essa vacina, por favor" da "Ditadura chinesa".

"Não será comprada", respondeu ele, em letras maiúsculas.

Em mensagem no Twitter, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou Bolsonaro de "subordinar os interesses brasileiros à estratégia geopolítica dos Estados Unidos", que não admite que "nenhum país da América Latina tenha relações com a China".

Na véspera, o ministro Pazuello também a havia descrito como "a vacina brasileira".

Com 212 milhões de habitantes, o Brasil também está na fase III de testes com a vacina desenvolvida pelo grupo farmacêutico AstraZeneca com a Universidade de Oxford.

O Brasil é o segundo país com mais mortes pelo novo coronavírus, totalizando quase 155 mil, atrás apenas dos Estados Unidos.

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