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Bolsonaro se desvincula de senador que escondeu dinheiro na cueca

(Arquivo) O senador Chico Rodrigues foi alvo na quarta-feira de uma busca em sua casa de Boa Vista, capital do estado de Roraima (norte), do qual é representante afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 15. outubro 2020 - 15:44
(AFP)

O presidente Jair Bolsonaro desvinculou nesta quinta-feira (15) seu governo do senador que tentou esconder dinheiro vivo dentro da cueca durante uma operação policial que investigava fraudes com recursos públicos para o combate à pandemia do novo coronavírus, e afirmou que, em seu Executivo, "não há corrupção".

O senador Chico Rodrigues (DEM) foi dispensado do cargo de articulador político do governo no Senado Federal, conforme um despacho assinado pelo presidente e publicado em edição extraordinária do Diário Oficial.

"Aconteceu este caso. Lamento. Querer vincular o fato de ele ser vice-líder a corrupção no governo não tem nada a ver", disse o presidente à noite, durante uma transmissão ao vivo semanal pelo Facebook. "No meu governo não tem corrupção. Até agora, zero", acrescentou.

Rodrigues foi alvo nesta quarta-feira de uma busca em sua residência em Boa Vista, capital do estado de Roraima, do qual é representante, como parte de uma investigação de suposto desvio de recursos públicos destinados a combater a pandemia de covid-19.

A Polícia Federal (PF) encontrou R$ 33.000 em dinheiro, e parte das notas teria sido encontrada dentro de sua roupa íntima, inclusive "entre suas nádegas", relatou a imprensa, citando fontes envolvidas na investigação.

À tarde, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, determinou o afastamento de Rodrigues do cargo por 90 dias, decisão que deve ser analisada pelo Senado, e determinou que os vídeos da operação sejam mantidos sob sigilo.

"Se comprovada a culpabilidade do investigado, estará justificada a sua punição, mas não sua desnecessária humilhação pública", escreveu o magistrado.

- 'Grande volume na parte traseira' -

Segundo trecho da nota da Polícia Federal, divulgada pela imprensa, durante a operação o senador pediu para ir ao banheiro. Nesse momento, o delegado encarregado percebeu "um grande volume, em formato retangular, na parte traseira" de sua roupa. Em um primeiro momento, o policial encontrou R$ 15 mil, mas, após ser interrogado novamente, o senador tirou da cueca "outros maços de dinheiro" no valor de R$ 18.000.

"A Polícia Federal cumpriu sua parte em fazer buscas numa investigação na qual meu nome foi citado", admitiu em nota o senador, que não fez menção ao local onde o dinheiro foi encontrado.

"No entanto, tive meu lar invadido por apenas ter feito meu trabalho como parlamentar, trazendo recursos para o combate ao covid-19 para a saúde do estado", acrescentou o senador, que afirma ter "um passado limpo e uma vida decente" e confiar na Justiça para esclarecer o ocorrido.

Ao longo do dia, a imprensa divulgou um vídeo anterior à chegada de Bolsonaro à presidência, na qual ele aparece junto a Rodrigues, com quem afirmou ter, em tom de brincadeira, "quase uma relação estável", pelo longo relacionamento dos dois como deputados federais.

"Parte da imprensa [está] me acusando de o cara [Rodrigues] ser meu amigo, [que] eu [o] coloquei como vice-líder, [que] em consequência eu não combato a corrupção", queixou-se Bolsonaro diante de apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília.

Eleito em 2018 com forte discurso anticorrupção, o presidente tem enfrentado vários escândalos desde o início de seu mandato, entre eles uma investigação contra um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro, por suposto desvio de recursos quando era deputado estadual no Rio de Janeiro.

O próprio presidente é investigado, após acusações feitas por seu ex-ministro da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro, de que Bolsonaro teria tentado interferir nas investigações da Polícia Federal para blindar seus aliados e familiares, o que o presidente nega.

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