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Bolsonaro se isola politicamente por sua postura frente ao coronavírus

Con casi la mitad de la población mundial confinada en sus casas, el mandatario ultraderechista Jair Bolsonaro sostiene que el coronavirus es una "gripecita" y se opone a la cuarentena aplicada en casi todos los estados brasileños afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 31. março 2020 - 17:23
(AFP)

Um meme que circula nesses dias pelas redes sociais no país ironiza a postura do presidente Jair Bolsonaro frente ao coronavírus, que compara salvar a economia com salvar vidas de pessoas dos grupos de risco.

Nele, um dinossauro está observando a chegada de um meteorito - que provocou a extinção desses vertebrados - e exclama: "Puta merda, vai foder a economia!".

Com quase metade da população mundial confinada em suas casas, Bolsonaro, aos 65 anos, defende que o coronavírus é uma "gripezinha" e é contra as medidas de quarentena e do distanciamento social aplicados em quase todos os estados brasileiros.

Suas opiniões contrariam as diretrizes da imensa maioria dos especialistas e inclusive do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que prevê que na pandemia, que até o momento foi responsável por 159 mortes no país, chegue ao seu pico a partir do final de abril.

No domingo, Bolsonaro saiu para passear em Brasília, entrou em vários comércios, visitou um mercado popular e tirou fotos com seguidores, gerando pequenas aglomerações, mal vistas nesses dias.

"Essa é uma realidade, o vírus 'tá aí'. Vamos ter que enfrentá-lo, mas enfrentar como homem, porra. Não como um moleque. Vamos enfrentar o vírus com a realidade. É a vida. Tomos nós iremos morrer um dia", declarou.

"Devemos tomar os devidos cuidados com os mais velhos, as pessoas do grupo de risco. Agora, o emprego é essencial", acrescentou.

"Se o Brasil continuar tendo os empregos destruídos, vocês vão ver a desgraça que vai ser", disse na última segunda.

- "Uma visão arriscada" -

O ceticismo, que era uma tendência, é uma das visões já abandonadas por, entre outros, o mandatário americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

Bolsonaro tem recebido críticas por meio de panelaços em massa e de quase todos os governadores, além de políticos aliados e dos representantes do Legislativo e do Judiciário.

Na última segunda, cerca de quinze líderes da esquerda pediram em uma carta por sua renúncia, acusando-o de encarar de maneira "irresponsável" a crise do novo coronavírus.

Nas redes sociais, os comentários negativos ganham cada vez mais espaço. O Twitter, Facebook e Instagram excluíram nesta semana algumas de suas publicações após considerá-las "desinformação" sobre a Covid-19.

A visão de Bolsonaro "é arriscada, pois alimenta uma falsa dicotomia entre a preservação de vidas e a proteção da economia. Há estudos acadêmicos mostrando que o distanciamento social não apenas ajuda a prevenir o risco de um colapso no sistema de saúde, mas também auxilia na recuperação econômica pós-pandemia", explica Thomaz Favaro, da consultoria Control Risks, à AFP.

Bolsonaro assumiu o poder no início do último ano, frente a um país com grandes desafios fiscais e com uma alto taxa de desemprego, que prometeu ajustar com ajustes econômicos e privatizações.

O primeiro ano de governo registrou um decepcionante crescimento de 1,1%, e a chegada da pandemia no Brasil parece um presságio para uma grave recessão em um país onde há altos índices de pobreza e que conta com uma rede de serviços púnlicos muito limitada.

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