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Brasil autoriza retomar testes de vacina chinesa Coronavac contra covid-19

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, em coletiva de imprensa em São Paulo afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 11. novembro 2020 - 16:40
(AFP)

A entidade reguladora sanitária brasileira autorizou, nesta quarta-feira (11), a retomada dos testes clínicos da vacina Coronavac contra a covid-19, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, depois de suspendê-los na segunda-feira alegando que um voluntário sofreu "um efeito adverso grave".

"A Anvisa informa que acaba de autorizar a retomada do estudo clínico relacionado à vacina Coronavac, que tem como patrocinador o Instituto Butantan", informou o órgão em nota, no qual esclareceu que as suspensões em fase de testes são comuns e que isso "não significa, necessariamente, que o produto sob investigação não tenha qualidade, segurança, ou eficácia".

A suspensão foi decidida, segundo a Anvisa, por "um efeito adverso grave", do qual disseram não ter mais informações.

O Instituto Butantan, principal produtor brasileiro de vacinas, que assinou acordo com a Sinovac para conduzir os estudos sobre a vacina no país, disse que o incidente não estava relacionado ao medicamento experimental.

As autoridades locais informaram que o voluntário morreu por suicídio.

Após o anúncio da Anvisa, o secretário de Saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, defendeu "a transparência e a ética" com que o Instituto Butantan opera e lamentou o impacto que a interrupção dos testes possa ter.

"O impacto [da interrupção] não foi cronológico, mas psicológico. Vamos ter um trabalho de convencimento para que alguns se mantenham no estudo", comentou, em entrevista à rede Globonews.

Nesta quarta-feira, a Anvisa justificou sua decisão como "técnica" e com base em "fatos que eram de conhecimento desta Agência no momento da suspensão".

"Após avaliar os novos dados apresentados pelo patrocinador depois da suspensão do estudo (...), a ANVISA entende que tem subsídios suficientes para permitir a retomada da vacinação", acrescentou.

A vacina Coronavac está na fase 3 de estudos no país, a partir de um convênio com o Instituto Butantan, vinculado ao governo de São Paulo. O governador João Doria é o principal adversário político do presidente Jair Bolsonaro.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse na segunda-feira que a decisão da Anvisa causou "indignação", enquanto especialistas questionavam a politização das vacinas contra a covid-19. Já são mais de 162 mil mortos no Brasil e 5,7 milhões de pessoas infectadas.

Bolsonaro comemorou a suspensão dos estudos nas redes sociais e a descreveu como uma vitória pessoal.

O laboratório chinês Sinovac Biotech disse estar "confiante" na segurança de sua vacina.

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