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Brasil supera 2 milhões de casos do novo coronavírus

Edinilson Silva, de 47 anos, diagnosticado com COVID-19, é desembarcado de um avião equipado com unidade de UTI em sua chegada a Santarém, aonde chegou vindo de Almeirim, Pará, 15 de julho de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 16. julho 2020 - 21:47
(AFP)

O Brasil superou nesta quinta-feira (16) os dois milhões de casos do novo coronavírus e totaliza mais de 76.000 mortes, segundo dados oficiais, que não permitem vislumbrar uma redução próxima da pandemia.

Nas últimas 24 horas, foram registradas 45.403 infecções de COVID-19, elevando o total a 2.012.151, informou o Ministério da Saúde. Também foram reportados 1.322 óbitos, totalizando 76.688.

Desde 16 de maio, foram 24 dias com mais de 30.000 casos novos de coronavírus, com 11 deles superando a casa do 40.000 casos.

Apesar dos altos índices, especialistas garantem que o número oficial de casos está sendo subestimado.

"Dois milhões é um número simbólico, porque não temos testes em massa. Provavelmente há quatro ou cinco vezes mais. As medições mais pessimistas indicam até dez vezes mais", declarou à AFP o infectologista Jean Gorinchteyn, do Instituto Emílio Ribas e do hospital Albert Einstein, de São Paulo.

A média móvel de sete dias se mantém acima dos 1.000 falecimentos diários há cerca de um mês.

O Brasil é o segundo país do mundo em número de casos e mortes por COVID-19, atrás apenas dos Estados Unidos.

A taxa de infecção é de 9.575 pessoas por milhão de habitantes e a de mortes chega a 365 por milhão de habitantes. São números inferiores aos de muitos dos países mais atingidos pelo vírus, mas esconde contrastes regionais em um país de quase 212 milhões de habitantes e dimensões continentais.

Na região Norte, que inclui os estados da Amazônia, onde inúmeras comunidades indígenas vivem com baixa imunidade a vírus externos, a taxa de infecção é de 18.483 por milhão de habitantes e a taxa de mortalidade chega a 585 por milhão de habitantes.

Em números absolutos, o estado com mais casos (402.048) e mais mortes (19.038) é São Paulo, o mais populoso do país.

- Politização -

As tentativas de controle da pandemia foram comprometidas no Brasil devido à politização da questão.

O presidente Jair Bolsonaro faz uma campanha aberta pela sobrevivência econômica do país contra os governadores que impuseram medidas de isolamento.

A maioria dos estados flexibilizou o confinamento, uma medida prematura para especialistas.

Bolsonaro, que está em quarentena na residência oficial desde a semana passada após contrair o vírus, reiterou nesta quinta-feira, em seu programa semanal ao vivo nas redes sociais, que "a falta de salário e trabalho matam mais que o vírus".

- Pandemia longe do fim -

No mês passado, a taxa de infecções aumentou de 1,08 para 1,13 por pessoa contagiada, disse Gorinchteyn.

"Em um a cada cinco [dos 27] estados brasileiros, a curva de casos ainda está em ascensão" e o mesmo acontece "em 20% dos municípios", acrescentou.

Esse número chega a 40% na região norte e 60% no sul, que há algumas semanas estava bastante preservado.

Esse aumento "deve-se à flexibilização prematura e existe a possibilidade de esses números aumentarem muito", afirmou.

O especialista considera difícil visualizar uma redução na intensidade da crise de saúde.

"Com a curva subindo em muitos municípios, levará pelo menos 4-8 semanas até que comece a cair", disse ele.

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