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Brasil supera os cinco milhões de casos de coronavírus

Funcionário no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. outubro 2020 - 23:43
(AFP)

O Brasil ultrapassou nesta quarta-feira (7) os cinco milhões de casos do novo coronavírus e está perto de registrar 150 mil mortes, em um momento em que o país vive uma desaceleração muito lenta da pandemia.

Com 31.553 novos casos registrados nas últimas 24 horas, o Brasil tem um total de 5.000.694 contágios, o terceiro maior número do mundo depois dos Estados Unidos e da Índia, segundo o Ministério da Saúde.

Com 212 milhões de habitantes, o país também registrou 734 mortes nas últimas 24 horas e acumula 148.228 falecidos desde a primeira morte, registrada em março.

O Brasil é o segundo país com mais mortes por covid-19, atrás somente dos Estados Unidos.

A média diária de mortes nos últimos sete dias é de 610, número que confirma que a onda letal perdeu intensidade após um período - entre o início de junho e o início de agosto - em que permaneceu um patamar que raramente diminuiu para menos de 1.000 mortes.

Nos últimos sete dias, a média diária de casos foi de 27.477, número que no início de setembro era superior a 40.000.

Mas especialistas concordam que, apesar da tendência de queda nas mortes e casos, a situação no Brasil ainda é "preocupante" em relação a outros países, principalmente europeus.

A diminuição no número de casos "ainda não se mostra sustentada. Portanto há uma tendência de início de uma queda, mas isso tem que se confirmar", ressaltou à AFP Mauro Sanchez, epidemiologista da Universidade de Brasília.

O fato de que a taxa de reprodução do vírus esteja perto de 1, ou seja, que para cada pessoa curada há um novo contágio, explicou, confirma que o impacto da pandemia diminui lentamente. Abaixo de 1 considera-se que a epidemia está sob controle.

O índice de casos é de 705 por milhão de habitantes, com fortes diferenças regionais. Na região sul é de 421 por milhão de habitantes e no norte, é de 827. No Rio de Janeiro (sudeste), é de 1.099.

No Reino Unido, um dos países mais castigados pela pandemia, a taxa é de 626 por milhão de habitantes.

- De volta às aulas -

Apesar das incertezas, os brasileiros voltaram nas últimas semanas a lotar as praias em meio a uma forte onda de calor, e as autoridades anunciaram a retomada de várias atividades não essenciais, enquanto alguns estados, como São Paulo, autorizaram a volta às aulas nos sistemas público e privado.

O Brasil enfrenta a pandemia com suas autoridades divididas. O presidente Jair Bolsonaro rejeita as medidas de confinamento por seus efeitos para a economia e aparece em atos oficiais sem máscara, um gesto muito criticado pelos cientistas.

Governadores e prefeitos defenderam o isolamento social, mas nas últimas semanas autorizaram cada vez mais atividades. Segundo Sanchez, isto transforma muitas pessoas que estavam em isolamento na nova população suscetível ao contágio.

A pandemia e as medidas de confinamento provocaram, assim como no resto do mundo, um forte impacto econômico, que levou o desemprego a um recorde histórico de 13,8%. Mas no Brasil, o impacto foi mitigado com o auxílio emergencial, pago para quase um terço da população.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a maior economia da América Latina encolherá 5,8% em 2020, cifra revista para baixo na segunda-feira pelo organismo, que em junho chegou a prever uma queda de 9,1%.

Uma "resposta enérgica (...) evitou uma recessão mais profunda, estabilizou os mercados financeiros e amorteceu os efeitos da pandemia nos mais pobres e vulneráveis", informou o Fundo esta semana.

Mas os riscos continuam sendo "altos e multifacetados", inclusive uma segunda onda da pandemia, com uma recessão prolongada e vulnerabilidades da confiança, devido aos altos níveis da dívida, que se aproxima de 100% do PIB, advertiu.

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