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Brasil supera um milhão de casos de coronavírus

Funcionário desinfeta mercadorias em armazém de Curitiba, em 19 de junho de 2020. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 19. junho 2020 - 22:40
(AFP)

O Brasil superou o marco sombrio de um milhão de infectados por coronavírus nesta sexta-feira (19) - uma cifra ultrapassada anteriormente apenas pelos Estados Unidos -, com um recorde de mais de 54.000 contágios nas últimas 24 horas, informou o Ministério da Saúde.

O número de contágios chegou a 1.032.913, com um aumento de 54.771 casos desde a quinta-feira. O recorde anterior foi de 34.918, registrado em 16 de junho. Segundo uma nota oficial, o número desta sexta-feira se deve a uma "instabilidade" na rotina de divulgação das secretarias estaduais de saúde.

O número de óbitos por COVID-19 alcançou 48.954, com 1.206 novas mortes desde a quinta-feira. Este é o quarto dia consecutivo com mais de 1.000 mortes registradas em um dia.

O Brasil é o segundo país em número de infecções e mortes, atrás dos Estados Unidos, que tem mais de 2 milhões de casos e quase 119.000 mortes. Mas especialistas indicam que os números reais são muito maiores, devido à subnotificação.

As curvas de casos e mortes vinham dando sinais de achatamento nos últimos dias e vários estados começaram a flexibilizar as medidas de isolamento social.

Mas as previsões são difíceis em um país de 212 milhões de habitantes e dimensão continental, às vésperas da chegada do inverno no hemisfério sul.

"Se você fala do Brasil como um todo, a epidemia só poderá ser analisada com a estabilização da curva em todas as regiões, o que deve ocorrer no final de agosto ou no início de setembro", disse na quinta-feira à AFP o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

- Mensagens contraditórias -

A estratégia para enfrentar a emergência sanitária continua sendo tema de disputas políticas.

O presidente Jair Bolsonaro, que já comparou o novo coronavírus a "uma gripezinha", entrou em confronto com governadores e prefeitos que adotaram medidas de quarentena, por considerar que estas são nocivas para a economia.

O presidente preconiza, ainda, o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina para tratar a doença, apesar destes medicamentos não terem demonstrado até agora a sua eficácia.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro mudou duas vezes de ministro da Saúde e desde meados de maio o cargo é ocupado, interinamente, pelo general Eduardo Pazuello.

Mandetta, exonerado em abril, lamentou a falta de coerência nas orientações recebidas pela população. "O ministério pedia e reforçava junto com os governadores a necessidade do isolamento, do distanciamento (social), e o presidente dizia e fazia o contrário", relatou.

Bolsonaro ignorou com frequência as recomendações de isolamento, participando de atos de apoio ou passeando por áreas comerciais.

A maioria dos brasileiros reprova a gestão da pandemia pelo presidente, fragilizado também por uma série de investigações judiciais sobre seu círculo próximo e em confronto crescente com o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.

- Diferenças regionais -

O número relativo de óbitos é de 233 por milhão de habitantes (comparado a 358,8 nos Estados Unidos), mas com fortes disparidades regionais.

Em números absolutos, São Paulo é o estado com mais mortes (12.232), com média de 266 por milhão de habitantes. O Rio de Janeiro é o segundo, com 8.595 mortes, mas o primeiro em termos relativos (498 por milhão de habitantes).

Outros estados do norte e nordeste tem mais de 400 mortes por milhão de habitantes.

A pandemia pôs o sistema de saúde à beira do colapso em vários estados.

Os povos indígenas, historicamente vulneráveis a doenças trazidas de fora, sofreram um forte impacto, com mais de 6.000 contágios e 315 mortes, segundo a Articulação de Povos Indígenas do Brasil (APIB).

Entre os arara, povo que estabeleceu contato com outras populações em 1987, a taxa oficial de infecção é de 46%, mas especialistas temem que os 121 membros dessa comunidade tenham se contagiado, informou nesta sexta-feira a organização Survival International.

Vários estados começaram a relaxar as medidas de isolamento, inclusive São Paulo, que autorizou esta semana a reabertura de serviços "não essenciais", e o Rio de Janeiro, onde na quinta-feira foi retomado o Campeonato Carioca, marcando o retorno do futebol à América do Sul.

Estas medidas foram criticadas por especialistas, que as consideram prematuras e temem uma segunda onda de contágios.

Mas o país se encaminha para sua pior recessão anual, que segundo o Banco Mundial pode chegar a 8%, com milhões de desempregados que se veem diante do dilema de se expor ao vírus ou passar fome.

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