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Briga entre facções deixa 57 mortos em presídio do Pará

Mapa com localização da rebelião no presídio de Altamira, Pará, que deixou pelo menos 52 mortos nesta segunda-feira. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 29. julho 2019 - 20:03
(AFP)

Um novo massacre foi registrado num presídio no norte do Brasil. Desta vez foi no Centro de Recuperação Regional de Altamira, no sudoeste do Pará, onde detentos fizeram uma rebelião e iniciaram uma briga entre facções criminosas, na qual morreram 57 internos, sendo 16 decapitados.

O motim começou por volta das 07H00 locais e terminou antes do meio-dia.

"Foi uma briga entre grupos rivais. Dois agentes penitenciários foram feitos de reféns, mas já foram liberados", disse à AFP um porta-voz da Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe).

Os confrontos começaram quando duas pessoas detidas em uma ala reservada para membros de uma das facções invadiram a área do grupo rival e provocaram um incêndio, disse o porta-voz.

"É provável que muitos presos tenham morrido sufocados", acrescentou, indicando que o número de vítimas pode aumentar quando os especialistas enviados ao local terminarem a inspeção.

Um vídeo que circula nas redes sociais, reproduzido pela imprensa, mostra seis cabeças amontoadas ao lado de um muro. Em seguida, um prisioneiro se aproxima e rola uma cabeça com o pé, como se fosse uma bola de futebol.

Em outro vídeo é possível ver corpos queimados em um telhado de onde emana uma fumaça escura e grossa, enquanto presos armados com facões vagam pelo local.

Segundo as autoridades carcerárias, a prisão de Altamira tem capacidade para receber 200 presos, mas abrigava mais de 300.

Em setembro passado, sete prisioneiros foram mortos em outro motim, atribuído a uma tentativa de fuga do mesmo estabelecimento.

- Rota da cocaína -

O Brasil, com 727 mil detentos, tem a terceira maior população carcerária do mundo, mas conta apenas com 368 mil vagas nos presídios.

Em maio passado, 55 presos faleceram em outro confronto que durou dois dias entre organizações criminosas adversárias em várias prisões do Amazonas.

Uma onda de rebeliões nos estados do Norte e Nordeste, com mais de 100 mortos, muitos assassinados de formas atrozes, atingiu o país e foi atribuída a rivalidades entre grupos pelo controle das rotas do tráfico de cocaína.

As autoridades e especialistas atribuem esses massacres à luta pelo controle das rotas de cocaína da Bolívia, Peru e Colômbia, os três maiores produtores da droga.

Altamira, que fica a cerca de 800 km de Belém, está situada numa região que enfrenta sérios problemas de desmatamento e conflitos de terra entre tribos nativas com madeireiros e grupos que invadem seus territórios para praticar atividades agrícolas.

A cidade, de 110 mil habitantes, teve um forte crescimento demográfico após o lançamento em 2010 da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, que deve ser concluída até o final do ano.

A usina inclui uma barragem que será a terceira maior do mundo, cuja construção exigiu o deslocamento de dezenas de milhares de ribeirinhos do rio Xingu, um afluente do Amazonas.

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