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Carlos Mesa, um velho conhecido do política boliviana

O candidato presidencial da oposição da Bolívia, ex-presidente (2003-2005) Carlos Mesa, assiste a um comício de encerramento de campanha em La Paz afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 18. outubro 2019 - 11:57
(AFP)

Quatorze anos depois, o ex-presidente boliviano Carlos Mesa está novamente na disputa pelo poder, após uma série de circunstâncias que o transformaram na única opção que pode derrotar nas eleições de domingo o atual presidente, Evo Morales.

"Por que entrei na política?", se questiona o historiador e jornalista de 66 anos. Ele mesmo responde, de maneira simples e direta: "pela ideia de estar no centro das coisas e trabalhar para mover e mudá-las".

Carlos Diego de Mesa Gisbert nasceu em 1953 em La Paz, descendente de uma família de Alcalá la Real (Espanha). Era um "outsider" na política, mas se viu no olho do furacão em momentos determinantes da história boliviana.

Eleito vice-presidente em 2002, renunciou um ano depois quando o então presidente liberal Gonzalo Sánchez de Lozada reprimiu uma rebelião popular que deixou mais de 60 mortos.

"Os mortos vão te enterrar", repreendeu então o governante, segundo descreve em seu livro "Presidência sitiada", onde conta episódios dessa época.

Criticado por ser covarde, Mesa sucedeu Sánchez de Lozada na presidência. Renunciou duas vezes - a primeira negada pelo Congresso - e finalmente deixou o poder em 2005.

Seu amigo Alfonso Gumucio, com quem divide a paixão pela crítica cinematográfica, afirma que Mesa é "um homem que reflete, um homem que quiçá sonha".

Em um artigo escrito em 2008 para o lançamento de "Presidência sitiada", Gumucio revela alguns detalhes da personalidade do ex-presidente: "É um homem incrivelmente metódico e sistemático, não somente em seu trabalho, mas em sua vida cotidiana, capaz de registrar todos os acontecimentos com Bolívar e os detalhes de como pilotar um DC-3".

"Se há algo que se pode reprovar em Carlos é seu fundamentalismo em não beber uma gota de álcool. O mais próximo que chega é cheirar um copo de bom vinho; é capaz até de indicar uma variedade ou uma adega de sua predileção", diz.

Quem o conheceu na juventude lembra do Mesa diante das câmeras do canal estaltal, o único da época, no programa "Prêmio do Saber".

Anos depois, ganhou o prêmio Rei de Espanha, em 1994, e depois o Prêmio Nacional de Jornalismo de 2012.

- Uma carga pesada -

Mesa foi presidente da Bolívia sem partido de apoio, situação que complicou sua gestão e o levou à renúncia.

Oprimido pela pressão social e a instabilidade política incontroláveis, deixou na cadeira presidencial o advogado Eduardo Rodríguez Veltzé, que convocou eleições em 2005, vencidas por Evo Morales.

Sem aprender sua lição, voltou a se candidatar, sem partido partido próprio, com uma sigla emprestada da Frente Revolucionária de Esquerda (FRI), formação minoritária do extinto líder maoísta Oscar Zamora, que terminou por se aliar com a direita na década de 1990.

A candidatura de Mesa é apoiada pela Comunidade Cidadã (CC), coletivo de partidos pequenos, plataformas cidadãs e líderes regionais.

- A voz da disputa marítima -

Apesar das grandes diferenças que tem com Morales, Mesa aceitou ser o porta-voz da disputa marítima que a Bolívia apresentou em 2013 na Corte Internacional de Justiça de Haia, visitando vários países em busca de apoio para causa.

Em 1o. de outubro de 2018, a Corte determinou finalmente que o Chile não tinha obrigação de negociar um acesso para o mar para a Bolívia.

Dias depois desse fracasso nacional, Mesa anunciou sua candidatura para disputar com Morales e interromper sua hegemonia de 13 anos.

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