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Centrista Francisco Sagasti é eleito novo presidente do Peru

(Arquivo) O parlamentar Francisco Sagasti, eleito presidente do Peru afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 16. novembro 2020 - 15:26
(AFP)

O parlamentar centrista Francisco Sagasti foi eleito nesta segunda-feira (16) pelo Congresso como novo presidente do Peru, o terceiro em uma semana, com o desafio de encerrar uma crise política que levou milhares de cidadãos indignados às ruas.

Aos 76 anos e ex-funcionário do Banco Mundial, o engenheiro foi eleito novo presidente do Congresso. Segundo a Constituição, cabe a ele assumir automaticamente a chefia de Estado. Sua posse será na tarde desta terça-feira, em sessão plenária, anunciou.

"O que oferecemos? O que falta ao nosso país neste momento, confiança. Confiem em nós, agiremos da maneira que dizemos", declarou Sagasti após a sua eleição para a chefia do Congresso. "Além da confiança, a empatia, para nos sentirmos próximos dos cidadãos", acrescentou, lamentando a morte de dois jovens no último sábado durante manifestações contra o presidente anterior, Manuel Merino.

"Hoje não é um dia de comemoração. Quando um peruano morre, principalmente se é jovem, todo o Peru fica de luto. Se ele morre defendendo a democracia, soma-se ao luto a indignação", declarou Sagasti. "Medidas devem ser tomadas para que isso não volte a acontecer."

Membro do Partido Morado (centrista), Sagasti deve concluir o atual período de governo - que termina em 28 de julho de 2021 - após a saída do popular presidente Martín Vizcarra há uma semana e a renúncia de seu sucessor, Manuel Merino, neste domingo. O partido de Sagasti foi o único que votou em bloco contra a destituição de Vizcarra. As eleições presidenciais e legislativas estão programadas para 11 de abril de 2021.

Sagasti era candidato único e obteve o apoio de 97 dos 123 parlamentares presentes. Desses, 26 foram contra e não houve abstenções. Uma primeira votação para eleger o novo presidente do Peru fracassou neste domingo, com a parlamentar de esquerda Rocío Silva Santisteban como candidata única. Ela conseguiu 42 votos.

- 'Atenderá às expectativas' -

A esquerdista Mirtha Vásquez foi eleita nova presidente do Congresso, o que põe fim à incerteza que existia no país desde domingo, ao ficar sem titulares nos poderes Executivo e Legislativo.

"Acho que Francisco Sagasti atenderá às expectativas dos cidadãos", declarou a nova presidente do Congresso a repórteres. "Agradeço à população por todo o esforço. Lamentamos a morte de dois cidadãos", ressaltou, lembrando dois jovens que morreram no sábado durante protestos, após forte repressão policial.

"Esta geração de jovens nos ensinou uma lição para redirecionar o destino do Estado", acrescentou Vásquez.

A eleição de Sagasti foi comemorada por centenas de manifestantes reunidos em frente ao prédio do Congresso e por pedestres e motoristas em várias áreas de Lima.

A crise se encerra uma semana depois de o Congresso destituir o popular Vizcarra por "incapacidade moral" e desencadear a pior crise política em duas décadas no país, em meio à emergência sanitária causada pelo coronavírus e à recessão econômica.

"Parabenizo Francisco Sahasti por sua eleição como presidente do Congresso. Só uma pessoa com princípios democráticos poderá dar suporte à difícil situação que o país vive", publicou Vizcarra no Twitter.

A eleição de Sagasti é "o cenário ideal" para superar a crise política porque foi "um dos que votaram contra a destituição de Vizcarra", disse à AFP José Carlos Ugaz, ex-presidente da ONG Transparência Internacional.

- Investigação policial -

Merino renunciou cinco dias após assumir o cargo, após maciços protestos contra ele, os quais tiveram o balanço de dois mortos e uma centena de feridos.

Em muros do centro de Lima e no parque Miraflores, uma espécie de altar foi erguido em homenagem aos dois mortos nos protestos de sábado, Inti Sotelo (24 anos) e Jack Pintado (22), chamados agora pelos ativistas peruanos de "Heróis do Bicentenário".

O Ministério Público peruano abriu nesta segunda-feira uma investigação preliminar contra Merino por suposta responsabilidade pela morte dos dois manifestantes, informou a procuradora Zoraida Ávalos.

Essa investigação preliminar por "abuso de autoridade e homicídio doloso" é dirigida contra Merino, seu chefe de gabinete, Ántero Flores Aráoz, e seu ministro do Interior, Gastón Rodríguez, pelos dois manifestantes mortos aparentemente por disparos da polícia, disse Zoraida, que prometeu que esses eventos "não ficarão impunes".

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse hoje ter ficado "profundamente perturbado" com a repressão policial a manifestantes no Peru. O órgão anunciou o envio de uma missão a Lima para investigar supostas violações dos direitos humanos.

- Sentença do tribunal -

Nesta segunda-feira, o Tribunal Constitucional deve se reunir e emitir sua decisão sobre um recurso solicitado por Vizcarra quando ainda era presidente e enfrentava um primeiro pedido de destituição, do qual obteve êxito em 18 de setembro.

Na ocasião, Vizcarra solicitou ao tribunal superior que definisse o alcance da "incapacidade moral" de um presidente, já que a Constituição peruana não o define.

Desconhecem-se as implicações que essa decisão poderia ter dois meses após ter sido solicitada e quando Vizcarra já foi destituído do poder por um suposto caso de corrupção.

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