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Cepal adverte que América Latina descumprirá agenda de desenvolvimento da ONU

A Secretária Geral da CEPAL, Alicia Bárcena, em 10 de dezembro de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 24. abril 2019 - 22:16
(AFP)

Os conflitos comerciais e tecnológicos, o enfraquecimento da cooperação internacional e a persistência da desigualdade impedirão o cumprimento dos objetivos da Agenda de Desenvolvimento das Nações Unidas para 2030, alertou nesta quinta-feira a secretária-geral da Cepal, Alicia Bárcena.

"O mundo atual é muito diferente, mais difícil e mais complexo do que o de 2015, quando os objetivos de desenvolvimento para 2030 foram aprovados", alertou o chefe da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), que analisa em Santiago com os países da região o avanço da agenda, um conjunto de 17 objetivos e 169 metas de caráter econômico, social e ambiental.

Bárcena antecipou em uma coletiva de imprensa que metas como o acesso da população mundial à água de fontes seguras, a preservação da biodiversidade e a limpeza dos oceanos "não poderão ser satisfeitas", e se mostrou pessimista em relação à erradicação da pobreza, da desigualdade e da desnutrição, onde houve até mesmo "retrocessos".

O descumprimento deve-se principalmente ao "baixo crescimento da região", que "não crescerá além de 1,3% do PIB" neste ano, e à falta de investimentos na economia produtiva, necessária para gerar emprego e riqueza, explicou Bárcena.

"Se conseguíssemos crescer pelo menos 3% e reduzir a desigualdade em cinco décimos percentuais por ano, alcançaríamos um avanço muito mais rápido e erradicaríamos a pobreza extrema em todas as suas formas", disse, antes de defender um "novo paradigma de desenvolvimento" onde a cooperação prevaleça sobre a competitividade.

Cerca de 40% da população da América Latina vive em pobreza ou extrema pobreza, segundo a Cepal, embora em áreas rurais e indígenas essas estatísticas possam ser até 20% maiores.

A Cepal informou que também analisa o custo de uma "renda básica de cidadão", voltada para os jovens e, em especial, para as mulheres, para garantir sua autonomia e tempo de estudo, em consonância com outros programas de transferências condicionadas, como o Bolsa Família.

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