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Chile vacina a todo vapor e chega até ilhas remotas do arquipélago de Chiloé

A enfermeira Ximena Ampuero vacina idoso contra a covid-19 em uma ilha de Chiloé, em 16 de abril de 2021 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 01. junho 2021 - 17:35
(AFP)

Depois de percorrer longas distâncias em estradas de terra, cruzando rios a pé, avançando na chuva e na lama para chegar às partes mais remotas do país, os profissionais de saúde estão ampliando a vacinação anticovid no Chile, alcançando até mesmo territórios remotos do arquipélago de Chiloé, mais de 1.200 km ao sul de Santiago.

Em um momento em que ao menos 70% da população-alvo já foi vacinada com ao menos uma dose, os profissionais da saúde percorrem os fiordes do arquipélago - famosos por suas coloridas palafitas e suas igrejas de madeira - expostos ao inclemente Oceano Pacífico e às baixas temperaturas para levar vacinas a quem delas precisa.

"Atravessamos rios com vacinas para chegar a esses lugares. Fazemos isso uma vez por mês com ou sem chuva, com ou sem sol. Temos que ir, sim ou sim", conta à AFP Yolanda Álvarez, de 30 anos, enfermeira que percorre as mais de 30 ilhas que compõem o arquipélago de Chiloé, onde também chegou o coronavírus.

O tempo é curto. Falta apenas um mês para que seja atingido o limite estabelecido para vacinar 80% da população-alvo do Chile (15,2 milhões de um total de 19 milhões de habitantes do país).

O Chile é um dos países do mundo que mais rapidamente vacina sua população contra a covid-19.

Até o momento, já aplicou ao menos uma dose em 10,5 milhões de pessoas, o equivalente a 70% da população-alvo. Até agora, 7,9 milhões já receberam a segunda dose, o que significa um percentual de cobertura de 52,5% da população-alvo, que inclui todos os maiores de 16 anos.

No entanto, os números de contágio não diminuem. Na última sexta-feira foi registrado o segundo maior número de casos diários: 8.680 novos casos, algo que os especialistas atribuem à alta mobilidade das pessoas e à falsa sensação de segurança que a vacina proporciona.

- O longo caminho das vacinas -

O Chile rapidamente assinou acordos para a compra de vacinas, principalmente do laboratório chinês Sinovac, com o qual já vacinou 80% da população, e da Pfizer/BioNTech.

As remessas dos imunizantes chegam a Santiago em voos internacionais. Até o momento, chegaram ao país 21,7 milhões de doses.

As que tem como destino a Chiloé continuam a viagem da capital em outro avião até Castro, a maior cidade do arquipélago. De lá, as doses viajam de carro até o centro da Ilha Grande de Chiloé e, em seguida, por outro trecho de estrada até a cidade de Huillinco, onde Álvarez as recebe e coloca em sua geladeira para poder embarcar na aventura.

De todas as suas viagens, a mais remota de que se lembra é quando foi vacinar uma pessoa na zona de Cole Cole, uma praia de acesso muito difícil.

A partir de Castro, a capital regional de Chiloé, deve-se percorrer um trajeto por cerca de duas horas e depois caminhar vários quilômetros para chegar ao local.

Nos fiordes voltados para o Pacífico, no topo de uma montanha sem acesso de carro, depois de quilômetros de viagem, resta caminhar por horas no mato.

"Para chegar lá a pé, demoramos quatro ou cinco horas carregando as vacinas e todo o equipamento médico. (...) Temos pacientes lá, um deles tetraplégico", relata esta enfermeira nascida em Chiloé, que já vacinou cerca de mil pacientes na área.

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