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Chuvas torrenciais deixam mortos e caos no Rio de Janeiro

Rio se encontra em estado de crise por causa das fortes chuvas que caíram na noite de 7 de fevereiro afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. fevereiro 2019 - 13:19
(AFP)

As chuvas torrenciais que atingiram o Rio de Janeiro na noite de quarta-feira, com ventos de até 110 km por hora, deixaram ao menos seis mortos, informou o prefeito da cidade, Marcelo Crivella, que decretou três dias de luto.

Crivella informou ainda que a cidade permanece em "estágio de crise".

O balanço oficial, que pela manhã era de cinco mortos, aumentou depois que os bombeiros confirmaram a descoberta de um segundo corpo dentro de um ônibus que foi arrastado e parcialmente soterrado por um deslizamento na Avenida Niemeyer, que liga os bairros do Leblon e de São Conrado, na zona sul.

"Temos várias áreas de risco em nossa cidade. O solo está encharcado, então pode haver deslizamentos e quedas de se as chuvas continuarem. Peço às pessoas que não fiquem nesses lugares", afirmou o prefeito Marcelo Crivella na manhã desta quinta-feira.

A Prefeitura registrou 170 árvores caídas, que em muitos casos bloquearam o trânsito.

Uma parte da ciclovia Tim Maia, construída à beira-mar para os Jogos Olímpicos de 2016, também se rompeu, sem deixar vítimas. A via já estava em grande parte bloqueada pelo desabamento em abril de 2016.

- Testemunhos -

Há 24 anos, o carro de Elayne, 60 anos, ficou preso debaixo de uma árvore no mesmo local onde duas pessoas morreram na quinta-feira.

"Essa avenida tem que ser fechada toda a vez que tiver uma chuva mais forte. Isso já é para ser feito há muitos anos... Tudo vai sendo deixado [de lado]... E quando morre alguém, aí todo mundo se comove, como é o caso lá de Brumadinho... Todo mundo sabe que vai acontecer, mas ninguém faz nada", disse, indignada, esta mulher à AFP.

Vídeos postados em redes sociais e reproduzidos pela TV Globo mostraram poltronas flutuando no saguão do Sheraton Hotel em São Conrado, completamente inundado, e um enorme vazamento de água em um hospital particular na Barra da Tijuca, sobre o que parecia ser um paciente entubado em uma unidade de terapia intensiva.

O Centro de Operações do Rio (COR) pediu aos cariocas que "se desloquem apenas em caso de extrema necessidade", e pediu que alertem às autoridades se aparecerem sinais de rachaduras nas residências e fiquem atentos às sirenes de alerta sobre o risco de deslizamentos.

As previsões meteorológicas do COR para a tarde desta quinta-feira eram de chuvas fracas a moderadas e ventos moderados.

A zona sul, a mais turística da cidade, onde as favelas nos morros estão encravadas em luxuosos bairros residenciais, foi uma das mais castigadas.

Na Rocinha, a maior favela do Rio, com 70 mil habitantes, segundo dados oficiais, caíram 153,2 milímetros de chuva em quatro horas, mais da metade da média história para fevereiro.

Sirenes de emergência alertaram a tempo sobre os riscos de deslizamento e permitiram a evacuação das pessoas das áreas mais vulneráveis, segundo a Defesa Civil.

Em Copacabana, os ventos atiram até 110 km/h, derrubando árvores na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, paralela à Avenida Atlântica, que margeia a praia, informou o COR.

Junto à pedra do Arpoador, o jovem surfista Isaac Oliveira, contou como ajudou um casal de navegadores, cujo veleiro foi arrastado pela tempestade e encalhou na areia.

"Eles estavam ancorados, só que o mar estava muito grande e a âncora não segurou o barco deles", contou Isaac, de 28 anos.

Botafogo, Ipanema e Leblon também sofreram com a queda de várias árvores, que provocaram interrupções de abastecimento de energia em várias regiões.

- Décadas de abandono -

"Este é o resultado de um abandono da organização urbana da cidade. Fecharam os olhos para a ocupação confusa e o resultado, infelizmente, são tragédias como esta", criticou o novo governador do estado do Rio, Wilson Witzel em uma coletiva de imprensa.

"Foram décadas de negligência e, nos últimos anos, foram gastos rios de dinheiro em grandes eventos para favorecer a corrupção e a população ficou sem assistência", acrescentou Witzel, que estima que mais de 80 mil famílias vivem em áreas de "alto risco"em todo o estado.

O "estágio de crise" decretado pela prefeitura é o terceiro e o mais elevado sobre precipitações que podem causar inundações ou deslizamento de terra.

O Rio viveu este ano o janeiro mais quente desde o início dos registros oficiais em 1922, com temperatura média de 37,4 graus Celsius.

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