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Cidade da Guatemala recorre a caixões nas ruas para alertar sobre a COVID-19

Criança observa um caixão com a mensagem "Você decide, na sua casa ou nesta caixa", que faz parte de uma campanha das autoridades do município de Escuintla, na Guatemala, para alertar sobre a COVID-19 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 22. julho 2020 - 14:24
(AFP)

"Você decide, na sua casa ou nesta caixa!", é a frase que coroa quatro caixões colocados nas ruas do município guatemalteco de Escuintla, em uma tentativa desesperada das autoridades locais para conter a pandemia de coronavírus.

Com os caixões de madeira, a prefeitura desta cidade do sul da Guatemala tenta convencer seus habitantes a tomar medidas para reduzir os casos de COVID-19, que até esta terça-feira totalizam 1.408 e 60 mortos no município de mais de 170.000 habitantes.

"Queremos conscientizar a população de que esse vírus é muito contagioso e que acarreta problemas de saúde muito graves", disse à AFP o prefeito Abraham Rivera.

Rivera comentou que a campanha surgiu como um "apelo à reflexão" ao notar que muitos moradores vão às ruas, alguns "em grupos familiares", e a maioria sem respeitar as medidas de saúde, como o uso da máscara e o distanciamento social.

Escuintla é a capital do estado de mesmo nome, o segundo mais afetado pelo vírus depois do centro da Guatemala, onde está localizada a capital.

Muitos habitantes de Escuintla não podem optar pelo confinamento devido à sua situação econômica precária.

Maria Fontes, vizinha de Escuintla, contou à AFP que precisa sair para buscar seu sustento diário. "As pessoas aqui não estão se cuidando, há pessoas sem máscara. Quem não cumprir com isso, morrerá", sentenciou a mulher perto de um dos caixões, localizado em uma dos principais entradas do município.

Rivera acrescentou que outra das principais preocupações é que, ao ignorar as medidas, os moradores retornem para suas casas e contaminem pessoas vulneráveis, como idosos e pessoas com outros problemas de saúde.

Para conter a pandemia, o governo da Guatemala mantém um toque de recolher parcial desde março, que vai da tarde ao amanhecer do dia seguinte, embora em alguns finais de semana o confinamento seja total para evitar contágios.

Além disso, mantém fechados os centros comerciais, igrejas e outros locais de grande fluxo, uma medida que atingiu uma economia já precária.

A Guatemala, com quase 17 milhões de habitantes, acumula 40.229 casos de COVID-19, entre eles 1.531 mortos e 26.685 recuperados, enquanto persiste a chuva de críticas ao presidente, Alejandro Giammattei, pela gestão da crise e queixas pela saturação de alguns hospitais, assim como pela falta de pagamento e de equipamento para os profissionais de saúde.

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