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Cientistas procuram ratos de laboratório na luta contra o coronavírus

Cientistas do mundo inteiro lutam para encontrar um tratamento ou uma vacina contra o coronavírus, mas também procuram ratos de laboratório afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 27. março 2020 - 14:43
(AFP)

Cientistas do mundo inteiro lutam para encontrar um tratamento ou uma vacina contra o coronavírus, mas também procuram ratos de laboratório e nem todos servem: devem ser roedores transgênicos, atualmente em escassez.

"Os ratos de laboratório habituais não podem ser utilizados para estudar o SARS-CoV-2", explica à AFP Christophe D'Enfert, diretor científico do prestigioso Instituto Pasteur de Paris.

Eles não possuem um receptor sensível ao coronavírus, o que permite a este penetrar nas células: portanto "não somos capazes de infectar estes ratos de maneira eficaz", acrescenta D'Enfert.

Por este motivo são necessários ratos especiais, chamados ACE2, geneticamente modificados e fornecidos por empresas especializadas, que neste momento enfrentam uma demanda extremamente elevada.

Este tipo de roedor foi utilizado para estudar a Sars, que afetou a Ásia entre 2002 e 2003, mas uma vez superada a epidemia "ninguém se interessou mais por eles" e os laboratórios deixaram de ter estes animais, segundo D'Enfert.

"Fizemos um pedido e vamos recebê-los, mas vai demorar um tempo", completa. "São necessárias três semanas de gestação e três meses para contar com uma geração", ou seja, com ratos capazes de se reproduzir, explica o cientista.

- Fertilização in vitro -

Com sede nos Estados Unidos, o Jackson Laboratory é um grande fornecedor de K18-hACE2 - seu nome completo - e está acelerando a produção para suprir a demanda dos superratos.

As demandas procedem de "laboratórios e organizações de todo o mundo há várias semanas", indica à AFP Cat Lutz, diretor da área de "Ratos" do Jackson Laboratory.

Geneticamente modificados para poder contrair o coronavírus, os ratos "reproduzem as complicações respiratórias provocadas pela infecção, o que significa que representam um bom modelo para (estudar) a doença", segundo Lutz.

Estarão, portanto, destinados "a testar os (possíveis) tratamentos e vacinas", completa Lutz.

Para acelerar a produção, o Jackson Laboratory recorre à fertilização in vitro, ao invés da reprodução tradicional: o esperma de apenas um macho permite fecundar centenas de ovócitos, que depois são transferidos aos embriões das fêmeas para gestação.

A empresa espera fazer as primeiras expedições limitadas "no início de maio", antes de uma entrega mais ampla "algumas semanas depois".

- Novos modelos -

A boa notícia é que estes prazos não impedem o trabalho dos cientistas sobre o novo coronavírus, afirma D'Enfert.

"Desacelera um pouco a investigação, mas não nos impede de avançar", explica. É possível, por exemplo, testar uma vacina em um rato normal e ver se produz anticorpos eficazes, explica o cientista.

Sua equipe tenta desenvolver os próprios ratos modificados e examina se alguns roedores disponíveis no Instituto Pasteur não teriam, por caso, genes sensíveis ao SARS-CoV-2.

Paralelamente, a empresa de biotecnologia GenOway, com sede em Lyon (França), busca criar outros modelos transgênicos, "mais pertinentes" que os ACE2.

"Estamos em uma segunda geração, com um modelo 'relevante', que permite prever com precisão o que pode acontecer no organismo do homem", explica à AFP o diretor da empresa, Alexandre Fraichard, que espera contar com o novo rato no segundo semestre do ano.

"Além disso, tentamos preparar instrumentos mais vastos visando as próximas pandemias. Mas é um desafio a médio prazo, de vários anos. Os modelos de ratos não são produzidos tão facilmente, como se fosse um simples celular".

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