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Ciro Gomes culpa PT e Lula pela ascensão de Bolsonaro

(Arquivo) Ciro ficou em terceiro lugar no primeiro turno das eleições presidenciais afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 31. outubro 2018 - 15:28
(AFP)

Ciro Gomes, terceiro colocado no primeiro turno da eleição presidencial, acusou o Partido dos Trabalhadores (PT), do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de ter propiciado a vitória de Jair Bolsonaro.

"O PT elegeu Bolsonaro", sentenciou em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo divulgada nesta quarta-feira (31).

"O lulopetismo virou um caudilhismo corrupto e corruptor que criou uma força antagônica que é a maior força política no Brasil hoje", acrescentou Ciro Gomes, do Partido Democrata Trabalhista (PDT).

Ciro, ex-ministro de Lula de 60 anos, obteve 12,5% dos votos no primeiro turno, atrás de Bolsonaro (46%) e de Haddad (29%).

Em um primeiro momento, declarou seu "apoio crítico" a Haddad, mas logo viajou para a Europa, sem se envolver na campanha do segundo turno.

Ao retornar, um dia antes da votação no último domingo, evitou apoiar explicitamente Haddad e pareceu se posicionar como líder de uma futura oposição. "O Brasil precisa a partir de segunda-feira é construir um grande movimento" que "defenda a democracia" e proteja "os direitos" dos mais pobres, declarou.

Bolsonaro, um admirador da ditadura militar (1964-1985), venceu a eleição com 55% dos votos, contra 45% obtidos por Haddad.

"Não declarei voto ao Haddad porque não quero mais fazer campanha com o PT (...) Fomos miseravelmente traídos. Aí, é traição, traição mesmo. Palavra dada e não cumprida, clandestinidade, acertos espúrios, grana", disse na entrevista.

Na lista de reprovações, ele sustentou que o ex-presidente Lula (2003-2010) compactuou com o Partido Socialista (PSB) cargos nos dois governos para que esta força não se aliasse ao PDT.

O cacique político do estado do Ceará assegurou que Lula, antes de ser proibido de disputar a eleição por sua situação judicial, pediu a ele que fosse seu companheiro de chapa, um papel que foi de Haddad.

"Esses fanáticos do PT não sabem, mas o Lula, em momento de vacilação, me chamou para cumprir esse papelão que o Haddad cumpriu. E não aceitei. Me considerei insultado", afirmou.

O ex-candidato assegurou que havia avisado a Lula da "roubalheira" na Petrobras e sustentou que o ex-líder sindical se cercou de "bajuladores".

"Lamento que Ciro Gomes esteja tão irritado com seu seu resultado eleitoral insatisfatório. Mas entendemos suas dores e somos solidários. O que importa é a unidade contra o fascismo (...) Nisso estaremos juntos!", tuitou a presidente do PT, Gleisi Hoffman.

- Uma rivalidade de quatro décadas -

O PDT e o PT foram fundados em 1980 e rivalizam desde então pelo eleitorado de esquerda.

O líder pedetista, Leonel Brizola, de volta do exílio, pretendia ser novamente a figura política central do início dos anos 1960, como herdeiro do presidente nacionalista Getúlio Vargas, que havia se suicidado em 1954.

Mas o PT, surgido da confluência de movimentos sindicais e sociais, ex-guerrilheiros e comunidades religiosas da Teologia da Libertação, imprimia uma nova dinâmica à esquerda sob a liderança de Lula, um metalúrgico.

O PT via o PDT como um partido arcaico, e o PDT denunciava o radicalismo do PT.

Na eleição de 1989, Lula ficou em segundo lugar, à frente de Brizola, e perdeu o segundo turno contra Fernando Collor. Brizola pediu que votassem por Lula, mas não sem ironia:" A política é a arte de engolir sapos. Não seria fascinante fazer agora a elite brasileira engolir o Lula, este sapo barbudo?", questionou.

Em 1994, Lula voltou a ficar em segundo lugar, com 27% dos votos, metade dos conquistados por Fernando Henrique Cardoso. Brizola ficou em quinto.

Em 1998, Lula se apresentou com Brizola como companheiro de chapa, mas FHC foi eleito, e novamente no primeiro turno.

Em 2002, quando finalmente Lula venceu, o PDT apoiou no primeiro turno Ciro Gomes, que ficou em quarto. Ciro foi nomeado ministro de Integração Nacional de Lula, e Brizola não demorou a denunciar as políticas pró-mercado do PT.

Em 2004, Brizola foi a única fonte citada pelo jornalista do New York Times Larry Rothers em um polêmico artigo sobre o suposto alcoolismo de Lula.

Quando o líder do PDT faleceu em junho daquele ano, Lula decretou três dias de luto. Nas nos funerais foi recebido aos gritos de "Traidor!".

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