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Colômbia reforça as restrições para mais da metade de sua população devido à pandemia

Um homem atravessa uma avenida vazia em Medellín, Colômbia, em 7 de janeiro de 2021 afp_tickers

Mais de 30 milhões de pessoas entrarão em um confinamento mais rígido na Colômbia por cinco dias a partir desta quinta-feira(7), devido ao aumento da transmissão do coronavírus após as festas de Natal.

O país de 50 milhões de habitantes é o segundo com mais casos de covid-19 na América Latina e o Caribe (1,73 milhão) e o terceiro com maior número de mortes (45.067).

Diante do aumento da velocidade de propagação do vírus e na véspera do feriado que comemora o dia dos Reis Magos no país, o governo apertou as medidas de confinamento para evitar o colapso do sistema de saúde.

A partir desta quinta e até a próxima terça-feira, municípios e departamentos com ocupação de mais de 70% de suas unidades de terapia intensiva (UTI) terão restrições de mobilidade e proibição de reuniões em espaços públicos ou privados.

“Essas medidas são tomadas para tirar a pressão sobre as UTIs, para melhorar a capacidade de resposta, para prevenir novas infecções de maneira exponencial”, já que “o que foi feito de errado em dezembro vem cobrar a conta”, alertou o presidente Iván Duque em seu programa de televisão diário.

Os departamentos com essa pressão sobre seu sistema de saúde são Cundinamarca (centro), Antioquia (noroeste), Valle del Cauca (sudoeste), Norte de Santander (nordeste), Risaralda (noroeste), Tolima (oeste), Nariño (sudoeste), Putumayo (sudoeste), Caldas (noroeste) e as cidades de Bogotá (centro), Medellín (noroeste) e Cali (sudoeste), que juntas têm cerca de 32 milhões de habitantes.

A capital, com quase oito milhões de habitantes e principal fonte de contágio, declarou “alerta vermelho” com mais de 86% de suas UTI ocupadas.

“Acreditamos que a nova cepa de coronavírus que foi identificada no Reino Unido (…) afetando cidadãos com teste positivo com 50% de carga viral adicional já estaria circulando na cidade de Bogotá”, declarou a prefeita Claudia López em uma coletiva de imprensa.

O presidente local ordenou o confinamento total da população de quinta-feira à meia-noite até terça-feira. A partir dessa data, um toque de recolher noturno seguirá até 17 de janeiro.

– Desafio da vacinação –

A Colômbia detectou o primeiro caso de covid-19 em março de 2020 e desde aquele mês um confinamento estrito estava em vigor em todo o país.

Depois de seis meses de pandemia e pressionado pelo desastre econômico, Duque optou em setembro por uma política baseada no autocuidado, no uso obrigatório de máscaras e na abertura gradual de todos os setores.

Os alarmes voltaram a ser disparados antes do aumento do número de casos de covid-19 e do anúncio de uma nova cepa no Reino Unido, ainda não oficialmente identificada no país.

O epidemiologista e professor da Universidad del Rosario, Carlos Trillos, descreveu a situação atual da covid-19 na Colômbia como “grave”, após dois dias consecutivos com “o maior número de casos da história da pandemia”, mais de 16.800 infecções diárias.

“É um reflexo do comportamento das pessoas nas festividades de final de ano, em que muitos relaxaram e não cumpriram as medidas preventivas e de biossegurança”, explicou o especialista à AFP.

A esperança está na imunização da população a partir de fevereiro, segundo o governo, que já comprou vacinas para 29 milhões de pessoas dos laboratórios Pfizer, Janssen, AstraZeneca e do convênio Covax, da Organização Mundial do Saúde.

O departamento de estatísticas do estado revelou em dezembro que apenas metade (56%) dos colombianos tem interesse em tomar a vacina.

É “um obstáculo (…) gerado em grande parte pelos movimentos antivacinas, com disseminação massiva de mensagens irresponsáveis nas redes sociais sem respaldo científico, que geram medo na população”, disse Trillos.

Além disso, especialistas alertam para um desafio logístico para cobrir as regiões mais remotas do país.

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

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