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Comando COVID-19 no Peru denuncia sobrepreço de oxigênio como 'traicão à pátria'

Fila para reabastecer cilindros de oxigênio em Callao, Peru, em 3 de junho de 2020 em meio à pandemia de coronavírus. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. junho 2020 - 19:55
(AFP)

A chefe do 'Comando COVID-19' no Peru acusou de "traição à pátria" aqueles que cobram preços abusivos por oxigênio hospitalar, em um momento de escassez do insumo para tratar pacientes internados pelo novo coronavírus.

"Diga-me se isso não é traição, então? É crime" vender balões de oxigênio a 4.800 soles (1.100 dólares), disse a médica Pilar Mazzetti em entrevista publicada neste domingo (7) pelo jornal La República.

O valor normal do produto antes da pandemia era de 150 soles (US$ 43), mas os preços dispararam junto com os casos confirmados, que somam mais de 190.000 em três meses no país.

A autoridade nacional de combate à pandemia estendeu a queixa àqueles que não usam máscara, que abusam dos preços de medicamentos e às clínicas particulares que cobram por testes que o Estado oferece gratuitamente.

"Eu acusaria todos aqueles que não usam máscara, que cobram preços abusivos sobre máscaras e remédios. Estamos morrendo!", disse Mazzetti.

"Se as clínicas estão cobrando indevidamente, elas também devem ser acusadas (de traição)", disse a renomada neurologista.

Mazzetti acusou um setor comercial ligado ao departamento de saúde de "traição à pátria" no sábado, durante uma entrevista à rádio RPP, na qual denunciou o aumento nos preços de certos medicamentos.

A escassez de oxigênio levou o governo a declará-lo na quinta-feira como "bem público" e "interesse estratégico", apelando à cooperação de empresas privadas.

O governo anunciou a compra do insumo de países da região porque enfrenta um déficit de 136 toneladas de oxigênio por dia com a emergência de saúde.

O Peru consome 216 toneladas de oxigênio por dia e, com quase 10.000 pacientes hospitalizados, aumentará o consumo para 394 toneladas, segundo fontes de saúde.

A escassez provocou protestos de familiares de pacientes na cidade de Piura, no norte, que carregaram balões de oxigênio durante uma visita do presidente do Conselho de Ministros, Vicente Zeballos.

Em Lima, longas filas se formaram em frente à empresas privadas de balões com pessoas dispostas a pagar sobrepreços para tentar salvar a vida de seus familiares.

O Peru, o segundo país da América Latina em número de infecções por COVID-19 depois do Brasil, totaliza 191.758 casos confirmados e 5.301 mortes, de acordo com o balanço oficial de 6 de junho.

Com uma taxa média diária de 4.000 infecções, estima-se que o país atinja 200.000 casos confirmados entre segunda e terça-feira.

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