Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Milícias rivais se enfrentam desde 13 de julho para tomar o controle do aeroporto da capital, no âmbito de uma luta de influência política e regional.

(afp_tickers)

Os combates entre grupos rivais se intensificaram na Líbia, onde ao menos 138 pessoas morreram e 450 ficaram feridas nas últimas duas semanas, em meio a advertência dos governos ocidentais para que seus cidadãos abandonem um país mergulhado no caos.

Em Benghazi, no leste, 38 pessoas morreram e outras 50 ficaram feridas, em sua maioria soldados, nos combates das últimas 24 horas entre o Exército e grupos islâmicos, informaram fontes médicas neste domingo.

Segundo uma fonte militar, vários grupos islâmicos lançaram no sábado uma ofensiva contra o quartel-general da unidade das forças especiais do Exército perto do centro da cidade e depois ocorreram combates com os militares.

O Conselho da Shura de Revolucionários de Benghazi, uma aliança de milícias islâmicas e jihadistas, reivindicou nas últimas semanas vários ataques contra bases militares da cidade e afirmou ter tomado o controle de uma delas.

O comandante das Forças Especiais, Wanis Abu Khamada, afirmou, no entanto, à rede de televisão Libya al-Ahrar que seus homens seguiam em condições de "frear qualquer tipo de ofensiva contra as instituições do Estado".

Segundo o centro médico de Benghazi, 28 pessoas, em sua maioria soldados, morreram em combates desde sábado e também havia civis entre as vítimas.

O hospital de Al-Markh, 100 km a leste de Benghazi, indicou ter recebido os corpos de dois soldados, assim como dez feridos. No total 50 pessoas ficaram feridas.

Por sua vez, o Conselho Islâmico falou de oito mortos entre suas fileiras.

Segundo um jornalista da AFP no local, várias famílias fugiram da cidade, onde na manhã deste domingo muitas explosões foram ouvidas. Também prosseguiam os combates ao redor do quartel-general do Exército, que os islâmicos ainda não conseguiram tomar.

Desde a queda, em 2011, do regime de Muanmar Kadhafi, as milícias islâmicas controlam Benghazi, a principal cidade do leste do país, onde quase diariamente há confrontos entre o Exército e grupos radicais como Ansar Asharia, considerado terrorista pelos Estados Unidos.

O general Khamada, acusado por seus opositores de querer dar um golpe de Estado, tem o apoio de várias unidades do Exército regular líbio, incluindo a Força Aérea.

Em Trípoli, os confrontos entre milícias rivais pelo controle do aeroporto da capital, iniciados em 13 de julho, já deixaram 97 mortos e 400 feridos em duas semanas, segundo o ministério da Saúde.

O número de vítimas é baseado nos relatórios enviados desde 13 de julho por oito hospitais públicos de Trípoli e de seus arredores, e não inclui as vítimas atendidas em hospitais de campanha ou de outras cidades, disse o ministério.

Um porta-voz do ministério egípcio das Relações Exteriores, Badr Abdelatti, revelou neste domingo à AFP que a queda de um foguete em uma residência matou 23 pessoas, incluindo cidadãos egípcios.

Ameaça de catástrofe

A petroleira nacional líbia (NOC) advertiu na noite deste domingo para o risco de uma "catástrofe" em Trípoli após um depósito que contém seis milhões de litros de combustível ser atingido e pegar fogo, no sul da capital.

O depósito foi atingido por um foguete, explicou Mohamed Al Hrari, porta-voz do NOC, acrescentando que em Trípoli a gasolina e o gás de uso doméstico são armazenados em uma mesma unidade, administrada pela estatal Brega, encarregada da distribuição.

Segundo Al Hrari, os tanques próximos ao incêndio têm mais de 90 milhões de litros de combustível. Se as chamas atingirem os depósitos de gás, "haverá uma grande explosão, que provocará danos em um raio de 3 a 5 km".

A unidade está situada na estrada para o aeroporto e o ministério do Gás e Petróleo pediu à população que abandone a região.

Ocidentais partem do país

No sábado, os Estados Unidos evacuaram todos os seus funcionários na Líbia devido aos intensos combates registrados na capital, informaram funcionários de alto escalão.

Embora a embaixada já operasse com uma equipe reduzida, os funcionários que permaneciam na representação diplomática saíram em direção à Tunísia, horas após o governo interino líbio alertar que o Estado podia "naufragar" devido aos confrontos pelo controle do aeroporto de Trípoli.

Grã-Bretanha e Alemanha aconselharam seus cidadãos a abandonar a Líbia, e um comboio da embaixada britânica foi alvo neste domingo de um ataque, que não deixou vítimas.

Os confrontos aumentam os temores de uma guerra civil em um país onde as autoridades de transição após a queda de Kadhafi não conseguiram erguer um exército e uma polícia profissionais.

AFP