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Começa êxodo hondurenho em busca do 'sonho americano'

Cerca de 300 hondurenhos partiram em caravana para os Estados Unidos, fugindo da violência em seu país e da crise causada pelos furacões Eta e Iota, da Grande Central Metropolitana de San Pedro Sula, 180 quilômetros ao norte de Tegucigalpa, em 14 de janeiro de 2021. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 14. janeiro 2021 - 17:42
(AFP)

Cerca de 300 hondurenhos partiram nesta quinta-feira (14) para os Estados Unidos, antecipando uma grande caravana de migrantes convocada para a sexta-feira, em busca de melhores condições de vida e com a esperança de que o próximo presidente americano, Joe Biden, os receba.

Os hondurenhos se reuniram na quarta-feira à noite em San Pedro Sula, 180 quilômetros ao norte de Tegucigalpa.

Embora tenham tentado sair naquela hora, a polícia bloqueou suas tentativas devido ao toque de recolher estabelecido no país das 21h às 5h para restringir as viagens devido à pandemia de covid-19.

Com a primeira luz do dia, os integrantes da caravana iniciaram a caminhada nesta quinta-feira em direção à fronteira com a Guatemala através do desfiladeiro de Corinto, a cerca de 100 km do terminal de transportes.

Eles devem passar pela Guatemala e pelo México. Alguns grupos levavam a bandeira hondurenha e a maioria estava usando máscaras, exigidas como medida preventiva.

De acordo com a convocação que viralizou nas redes sociais, cerca de 3.000 pessoas devem se encontrar na quinta à noite no terminal de ônibus de San Pedro Sula.

De lá, planejam partir na madrugada de sexta-feira, seja por Corinto ou Água Caliente, o outro ponto de fronteira com a Guatemala, o que significa uma jornada de 260 km.

Os migrantes justificam o êxodo pela pobreza extrema e a falta de emprego, a violência de gangues e traficantes de drogas em seu país e a crise deixada pela passagem de dois furacões em novembro.

- Uma jornada "mortal" -

Eles também esperam que Biden, que assumirá a presidência dos Estados Unidos em 20 de janeiro, seja mais flexível com as regras de imigração do que seu antecessor, Donald Trump, possibilidade que já foi rejeitada por Washington.

"Não desperdicem seu tempo e dinheiro e não arrisquem sua segurança e saúde", recomendou o comissário em exercício da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP), Mark A. Morgan, em um comunicado. É uma jornada "mortal", frisou.

Nos grupos de WhatsApp, onde vários dos participantes se juntaram, trocam opiniões, se incentivam e compartilham fotos de seus movimentos rumo ao ponto de encontro marcado.

“Aqui está toda a gente, já chegando à grande central metropolitana” de ônibus, ponto de encontro, disse um dos integrantes. Sugere-se levar água, calçar sapatos confortáveis e até usar camisa branca. Alguns perguntam se podem viajar sem documentos ou sem teste de covid-19.

Enquanto isso, a polícia hondurenha distribuiu cerca de 7.000 agentes para proteger a segurança de seus compatriotas na fronteira com a Guatemala.

"O crime organizado está promovendo as caravanas. É triste ver as famílias se mudando na esperança de melhorar suas condições de vida e se exporem a cair nas mãos desses criminosos", disse o delegado Julián Hernández aos jornalistas.

-Guatemala em alerta-

Por sua vez, a Guatemala decretou nesta quinta-feira um "estado de prevenção" em sete de seus departamentos, o que permite até mesmo dissolver aglomerações públicas "à força", dada a chegada iminente da caravana.

O acordo, publicado no Diário Oficial, explica que essas regiões podem ser afetadas “na ordem, governabilidade e segurança dos habitantes, pelo fato de que pessoas e grupos de pessoas podem colocar em risco a vida, a liberdade, justiça, saúde e paz”.

A medida abrange os departamentos de Izabal, Zacapa, Chiquimula, Jutiapa, El Progreso, Petén e Santa Rosa, em todo o país, por onde deverá transitar a caravana.

Também "instrui as forças de segurança a dissolver pela força todos os tipos de reuniões, grupos ou manifestações públicas que ocorram sem a devida autorização".

Enquanto isso, o governo mexicano já anunciou que “não promove nem permite a entrada irregular de caravanas de migrantes e continuará agindo de acordo com sua lei de imigração e protocolos de saúde estabelecidos”.

Mais de uma dúzia de caravanas deixaram Honduras desde outubro de 2018, mas colidiram com o muro e o envio de milhares de guardas de fronteira e militares ordenados pelo presidente Trump na fronteira sul com o México.

Guatemala, México e Honduras firmaram um acordo conhecido como "terceiro país seguro" com o governo Trump, no qual concordam em colaborar com os Estados Unidos para impedir os fluxos migratórios do sul do continente.

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