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Começa a campanha das eleições mais incertas do país

Partidários do ex-presidente Lula se reuniram em 15 de agosto de 2018 em frente ao TSE, em Brasília afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 16. agosto 2018 - 22:19
(AFP)

A campanha para as eleições mais incertas da história recente do Brasil começou oficialmente nesta quinta-feira (16) com os 13 candidatos à Presidência, entre eles Lula, preso em Curitiba, registrados para pedir votos nas ruas e pela Internet.

O PT, que na véspera transformou o registro da candidatura de Lula no TSE, em Brasília, em um ato multitudinário com vistas às eleições de 7 de outubro, iniciou o dia com uma manifestação que reuniu pouco mais de uma centena de participantes em frente ao Teatro Municipal de São Paulo.

Ciro Gomes, do PDT, foi um dos primeiros a ir a campo, com um ato de rua na zona norte do Rio, no qual prometeu "salvar o Brasil".

O ex-banqueiro Henrique Meirelles, do MDB, o partido do impopular presidente Michel Temer, divulgou nas redes sociais seu "Pacto pela Confiança", programa com o qual promete reconduzir o Brasil ao caminho do crescimento.

Também usando as redes, a ambientalista Marina Silva (Rede Sustentabilidade) publicou um vídeo no qual conclama os brasileiros a "fazer a mudança" e visitou um centro de saúde em São Paulo.

O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB, participará ainda esta tarde de um encontro de mulheres na capital paulista.

Os candidatos ao pleito deste ano, que além do presidente elegerá os 27 governadores e renovará a Câmara dos Deputados (513 assentos) e dois terços do Senado (54 assentos de um total de 81), terão até 6 de outubro, véspera do primeiro turno, para fazer comícios e distribuir material gráfico nas ruas e pela Internet.

Complementam esta primeira etapa o ciclo de debates televisivos, iniciados na semana passada, e o período de propaganda gratuita por rádio e TV, que começará em 31 de agosto.

Um novo período de campanha iniciará caso haja um segundo turno, previsto para 28 de outubro.

- A incógnita Lula -

Lula, que cumpre em Curitiba uma condenação de 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, tinha previsto receber à tarde a visita de seu companheiro de chapa, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, e do prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel.

Lula é o favorito nas pesquisas, com quase um terço das intenções de voto, mas a sua candidatura, que já foi impugnada na própria quarta-feira pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, deverá ser invalidada, dado que a Lei da Ficha Limpa exclui da disputa eleitoral quem foi condenado em segunda instância, como é o caso.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que tem até 17 de setembro para decidir o futuro de Lula, demorará alguns dias, ou até semanas, para dar seu veredicto.

- Dúvidas e ceticismo -

A campanha começa com um eleitorado desmotivado, após anos de revelações da Operação Lava Jato sobre a corrupção no aparato estatal. Os escândalos colocaram na mira da Justiça ou atrás das grades dirigentes de quase todos os partidos, incluindo Lula.

Mais de um terço do eleitorado se diz indeciso, tentado a votar em branco, ou anular seu voto, ameaçando a hegemonia política exercida há 24 anos por PT e PSDB, segundo pesquisas do final de junho.

A crise política e o fraco crescimento econômico depois de anos de recessão, que deixaram 13 milhões de desempregados, facilitaram o surgimento de outros candidatos, como Jair Bolsonaro, de extrema direita, líder nas pesquisas em um cenário sem Lula.

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