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Conflito em região de hidrelétrica deixa 2.000 desaparecidos na Colômbia

(2019) Vista da represa do Projeto Hidrelétrico Hidroituango, no departamento colombiano de Antioquia afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 09. dezembro 2020 - 20:48
(AFP)

Quase 2.100 pessoas desapareceram à força na região onde é construída a maior hidroelétrica da Colômbia, revelou nesta quarta-feira (9) o poder judiciário, que investiga os piores crimes do conflito civil.

Estes crimes, ocorridos no marco do enfrentamento entre forças guerrilheiras, paramilitares e do Estado colombiano, tiveram um "aumento inusitado" a partir de 1996.

No entanto, o "número de desaparecimentos diminui consistentemente" desde 2010, destacou em um comunicado a Jurisdição Especial para a Paz (JEP), criada a partir dos acordos de paz de 2016 com os rebeldes das Farc.

Os grupos confrontados, principalmente os paramilitares que na época combatiam a ex-guerrilha, semearam terror com essa prática em um vasto território do departamento de Antióquia (noroeste), banhado pelo rio Cauca e onde são realizadas as obras da mega-represa Hidroituango, da qual participa a empreiteira brasileira Camargo Correa.

"Nesta região este crime gravíssimo foi maciço, generalizado e persistente", denunciou a JEP, que documentou 2.094 vítimas dentro do processo de medidas cautelares que impôs para proteger os locais onde alguns corpos poderiam ser encontrados.

Só este ano, a JEP localizou oito deles "com sinais de morte violenta" na área da hidrelétrica. A promotoria, por sua vez, exumou outros 176 restos nos últimos anos na mesma região, segundo o comunicado.

O primeiro organismo acrescentou que vai examinar as "regiões imediatas afetadas pelo projeto", diante da informação que aponta para a existência de mais "lugares de enterro" com possíveis vítimas.

Por enquanto, nem a JEP, nem Hidroituango informaram se as investigações poderiam incidir nos trabalhos em curso.

O projeto energético está sob a lupa da Controladoria Geral pelos atrasos e um superfaturamento milionário.

Com orçamento inicial de 1,7 bilhão de dólares, a construção passou a valer o equivalente a US$ 3,7 bilhões.

As obras estão a cargo do consórcio CCC Ituango, integrado pela Camargo Correa (55%) e as colombianas Conconcreto (35%) e Coninsa-Ramón H (10%).

Embora o desarmamento dos paramilitares (2006) e as Farc (2017) reduziu a intensidade do conflito, a Colômbia está mergulhada em um novo ciclo de violência por conta das organizações financiadas com o narcotráfico.

Em quase seis décadas de luta interna, foram reportadas nove milhões de vítimas entre os mortos, desaparecidos e deslocados, sendo estes últimos os que compõem a maior população afetada.

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