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Consulta simbólica de Guaidó não consegue reativar mobilização na Venezuela

O líder opositor venezuelano Juan Guaidó em Caracas em 12 de dezembro de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 13. dezembro 2020 - 11:12
(AFP)

Centros de votação parcialmente vazios marcaram o último dia, no sábado, da consulta simbólica convocada pelo líder opositor Juan Guaidó, mas o grupo reivindicou um triunfo "histórico" ao ressaltar a grande participação pela internet.

"A participação na consulta superou por muito a fraude que montaram em 6 de dezembro", afirmou Guaidó, em referência às eleições legislativas boicotadas pela maioria da oposição, quando o chavismo conquistou 91% das 277 cadeiras no Parlamento. A votação de domingo passado, questionada pelos opositores, teve a participação de 6,2 milhões dos 20,7 milhões registrados.

De acordo com um primeiro boletim divulgado no Twitter pelos organizadores da consulta, que aconteceu à margem das autoridades eleitorais do país, participaram 6,4 milhões de pessoas: 3,2 milhões de maneira presencial na Venezuela; 844.728 no exterior e 2,4 milhões digitalmente. Isto com 87,44% dos votos apurados.

Apesar do balanço divulgado pela oposição, Guaidó, que denunciou a "censura" do governo e a falta de apoio dos meios de comunicação para divulgar a consulta, não conseguiu reeditar as grandes mobilizações que o acompanharam durante 2019.

Em Caracas, os pontos instalados para votação permaneceram vazios a maior parte do dias.

Com menos popularidade do que quando se autoproclamou presidente da Venezuela em janeiro de 2019, Guaidó, reconhecido como presidente interino por 50 países, liderados pelos Estados Unidos, tentava com a consulta simbólica a última carta antes do fim de seu mandato como parlamentar.

Na chamada "consulta popular", os venezuelanos foram questionados se apoiam "todos os mecanismos de pressão nacional e internacional a favor das eleições presidenciais e parlamentares livres" e se rejeitam as eleições legislativas de domingo passado.

Não foi a primeira vez que a oposição convocou um processo de consulta. uma iniciativa semelhante ocorreu em julho de 2017, em rejeição à Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro, após meses de protestos que deixaram 125 mortos. Apesar do plebiscito simbólico, o órgão 100% chavista foi instalado e assumiu as funções legislativas na prática.

A oposição denunciou a "intimidação" por grupos civis armados chamados coletivos usados pelo regime.

"Na Cota 905 (Caracas, tiveram que retirar o ponto de consulta por intimidação", disse à AFP o deputado Rafael Veloz.

"Os conselhos comunais nos expulsaram", afirmou o deputado Jesús Abreu em Catia, zona popular do oeste da capital onde atuam coletivos que, destacou, "cercavam" desde cedo para intimidar os opositores.

- Abstenção para todos -

Tanto a consulta convocada por Guaidó como as legislativas da semana passada registraram elevado nível de abstenção, destaca o cientista político Jesús Castillo-Molleda.

"As lideranças políticas representadas pela oposição e o governo tiveram suas doses de abstenção, os dois setores perderam as ruas, não estão conectados com os problemas do povo", afirmou.

A oposição "não soube canalizar o descontentamento porque não alcançou os seus objetivos e isso a desmoralizou com o povo, que embora esteja contra Maduro, poucos veem a necessidade de apontar o seu nome em algo que não tem nenhum efeito jurídico ou político", explica o analista Rafael Álvarez Loscher, da consultoria IURISCORP.

Maduro minimizou a consulta convocada por Guaidó, a quem chama de "farsante" e "fantoche" dos Estados Unidos.

"Ninguém poderia pensar que uma consulta pela internet tem valor legal, constitucional, tem apenas um valor informativo", disse o presidente.

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