Navigation

Coronavírus: tocilizumabe se mostra eficaz para pacientes em estado grave

Equipe médica no Campus Picpus dos hospitais públicos de Paris (AP-HP) em 30 de março de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 27. abril 2020 - 14:26
(AFP)

O medicamento imunomodulador tocilizumabe mostrou sua eficácia na prevenção da "tempestade inflamatória" em pacientes com COVID-19 em estado grave, de acordo com um estudo francês ainda não publicado, cujos primeiros resultados foram divulgados nesta segunda-feira (27).

Este tratamento reduziu "significativamente" a proporção de pacientes que tiveram de ser transferidos para terapia intensiva, ou morreram, em comparação com aqueles que receberam tratamento padrão, disse a Assistência Pública-Hospital de Paris (AP-HP).

Este é o "primeiro estudo comparativo randomizado" que "demonstra um benefício clínico" deste tratamento em pacientes com COVID-19 que sofrem de infecção grave, disseram seus organizadores durante uma coletiva de imprensa virtual.

Esses resultados ainda precisam ser "consolidados" e serão publicados em uma revista científica em algumas semanas. A AP-HP explica que decidiu divulgá-los agora "por razões de saúde pública", devido ao contexto da crise pandêmica, e comunicá-los às autoridades sanitárias francesas e à Organização Mundial da Saúde (OMS).

O tocilizumabe (Actemra, ou RoActemra), do laboratório Roche, pertence à família de anticorpos monoclonais - anticorpos criados em laboratório, derivados de uma única cepa de linfócitos e concebidos para responder a um alvo específico.

Geralmente usado no tratamento da artrite reumatoide, funciona bloqueando o receptor de uma proteína do sistema imunológico que desempenha um papel importante no processo inflamatório.

Alguns pacientes com o novo coronavírus sofrem um agravamento repentino de sua condição após vários dias, causando desconforto respiratório agudo. Fenômeno que está, provavelmente, ligado a uma reação imune excessiva do corpo.

Ao todo, 129 pessoas hospitalizadas em 13 hospitais foram incluídas no estudo: pacientes com COVID-19 sofrendo uma pneumonia "de moderada a grave" e que precisaram de assistência com oxigênio.

Esse perfil corresponde a "apenas 5% a 10% dos pacientes infectados" pelo coronavírus, mas estão entre os que correm maior risco de serem submetidos à respiração artificial, ou à morte, disse Xavier Mariette, copesquisador coordenador do estudo, durante a teleconferência.

Metade dos participantes recebeu uma ou duas injeções de tocilizumabe, além do tratamento padrão (oxigênio, antibióticos e anticoagulantes). A outra metade recebeu apenas tratamento padrão.

Eles foram acompanhados por 14 dias para obter esses resultados intermediários, um acompanhamento que continuará, a fim de confirmar as conclusões.

Nesta fase, os pesquisadores não observaram mais efeitos colaterais indesejáveis nos pacientes que receberam o imunomodulador do que naqueles que receberam o tratamento padrão, ressaltou Mariette.

Outras equipes já relataram resultados encorajadores sobre o tocilizumabe, particularmente no Hospital Foch, mas esses estudos foram "abertos", sem um grupo de controle randomizado, que não trouxe "o mesmo nível de evidência" e "não permitem definir um padrão de tratamento", apontaram os pesquisadores da AP-HP.

O custo atual do tocilizumabe é de cerca de 800 euros por injeção, um preço alto, mas muito mais baixo do que o de um dia de hospitalização em uma unidade de terapia intensiva, ressaltaram.

Um medicamento comparável, o sarilumabe (Kevzara), desenvolvido pela Sanofi e Regeneron, também está sendo testado no mesmo programa de ensaios clínicos, chamado CORIMMUNO. Os primeiros resultados devem ser conhecidos "nos próximos dias", de acordo com Mariette.

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.