Navigation

Coronavírus isola a remota Ilha de Páscoa, que teme pelo seu futuro

Vista dos moais, estruturas de roxa na Ilha de Páscoa, que se encontra sob quarentena pelo coronavírus afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 01. abril 2020 - 17:56
(AFP)

A mais de 3.500 km do continente americano, no meio do Pacífico, a população da Ilha de Páscoa enfrenta com disciplina ancestral o coronavírus que, com pelo menos dois casos confirmados, a obrigou a se confinar e fechar todos os seus acessos, enquanto olha com preocupação para um futuro sem turistas.

Até agora, essa ilha chilena de 7.750 habitantes registra apenas dois casos confirmados e outros dois ou três em análise. Mas conta com um único hospital, que possui somente três respiradores artificiais.

Embora as autoridades locais acreditem que a expansão do vírus está quase contida, temem pelas consequências da redução abrupta no turismo.

Cerca de 100.000 visitantes chegam em média anualmente a esta ilha vulcânica na Polinésia, atraídos principalmente pelos moai, ou estruturas de pedra perpetradas no território cuja construção ainda é um mistério.

O governo local se adiantou e fechou a entrada da ilha uma semana antes do decreto das autoridades em Santiago, após o primeiro caso em 11 de março, a poucos dias de se registrarem contágios no resto do Chile. No país, os contágios superaram os 2.700 nesta quarta-feira.

Há uma semana, uma quarentena total e um toque de recolher extenso estão em vigor na ilha desde as 14h00 até as 05h00 da madrugada. As medidas de confinamento foram estendidas na terça-feira por mais duas semanas.

- Três mil mendigos -

No entanto, todos temem o futuro dos próximos meses. Segundo o prefeito da ilha, Pedro Edmunds, os habitantes podem sobreviver por volta de um mês com a ilha fechada.

Mas no final de abril, cerca de 3.000 pessoas "se encontrarão nas ruas implorando comida a alguma autoridade local ou nacional, porque não terão como sobreviver", alertou.

O prefeito calcula que a recuperação começaria a ocorrer em agosto, em parte devido à eventual chegada de turistas.

Embora a atividade turística deva ser mais lenta do que a de três semanas atrás, com dois voos diários da companhia aérea LATAM.

A companhia, única ponte aérea entre o continente e este lugar, a cinco horas de voo, atravessa hoje problemas financeiros como outras do setor devido ao fechamento das fronteiras em grande parte do mundo.

A pandemia revelou a fragilidade deste lugar remoto. Sem subsídios estatais, muitos podem não sobreviver, enfatiza o prefeito Edmunds.

O desafio à frente é melhorar a infraestrutura e "reencantar as pessoas para que possam voltar", disse Sabrina Tuki, dedicada ao turismo da ilha há 20 anos.

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.