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Cristãos iraquianos que fugiram da violência em Mossul, rezam na igreja de MarAfram, 19 de julho, 2014.

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Os cristãos do Iraque, que fogem aos milhares desde sexta-feira da cidade de Mossul (norte) após um ultimato jihadista do Estado Islâmico (EI), são uma comunidade constantemente ameaçada e vários deles tiveram que sair do país nos últimos anos.

O grupo ultra-radical que controla Mossul desde junho lançou na sexta-feira um ultimato dando à minoria católica algumas horas para deixar a região. Na semana passada, o grupo havia avisado aos cristãos da segunda maior cidade do país que eles precisariam "converter-se ao Islã, pagar uma taxa especial ou deixar a cidade", ou seriam executados.

Antes da invasão americana de 2003, mais de um milhão de católicos viviam no Iraque, sendo mais de 600.000 em Bagdá, 60.000 em Mossul, mas também na cidade petrolífera de Kirkuk e em Basra.

Em função dos conflitos violentos que sacudiram o país desde então, hoje não passam de 400.000 cristãos em todo o território, com metade deles vivendo na província de Nínive, da qual Mossul é a capital.

De acordo com a tradição, o cristianismo chegou ao Iraque com o apóstolo São Tomé, algumas dezenas de anos após a morte de Jesus. Estudos, porém, apontam a chegada da religião cristã ao Iraque no século II de nossa era.

Os caldeus, que representam a maioria dos católicos do Iraque, formam uma comunidade católica de rito oriental. A Igreja caldeia, que tem sua liturgia em aramaico - a língua falada por Cristo - é considerada uma das mais antigas igrejas cristãs. Ela é oriunda da doutrina nestoriana, que renunciou no século XVI, conservando os ritos. Os outros católicos do Iraque são os siríacos católicos, os armênios católicos e católicos latinos.

Sob o regime de Saddam Hussein, os cristãos não eram considerados uma ameaça, já que tinham pouca ambição política. Mas, desde a invasão americana, o país tornou-se um campo de batalha entre insurgentes e tropas estrangeiras.

Associada às "Cruzadas" ocidentais, a comunidade católica virou alvo de ataques violentos.

Em dez anos, 61 igrejas foram atacadas e cerca de mil cristãos foram mortos, nem todos sendo alvo de ataques, de acordo com o patriarca caldeu Louis Sako.

O atentado mais sangrento aconteceu no dia 31 de outubro de 2010, quando 44 fiéis e dois padres morreram no ataque à catedral siríaca católica de Bagdá, revindicado pelo braço iraquiano da Al-Qaeda.

Em abril deste ano, Sako já alertava em entrevista sobre uma crescente onda de extremismo religioso, com ameaças de morte contra cristãos e a tomada de seus bens e propriedades por gangues armadas, que levaram muitas vítimas ao exílio.

AFP