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Detido primeiro dos dez deputados acusados pela revolta contra Maduro

O primeiro-vice-presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Édgar Zambrano, conversa com o autoproclamado presidente venezuelano, Juan Guaido (D), durante sessão do Parlamento em Caracas, em 6 de março de 2019. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 09. maio 2019 - 01:29
(AFP)

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, denunciou nesta quarta-feira que o vice-presidente do Parlamento, Édgar Zambrano, foi detido por agentes de inteligência em Caracas.

"Alertamos ao povo da Venezuela e à comunidade internacional: o regime sequestrou o primeiro-vice-presidente" da Assembleia Nacional (...) para "tentar desintegrar o poder que representa todos os venezuelanos, mas não vão conseguir", escreveu Guaidó no Twitter.

Zambrano é um dos dez deputados contra os quais o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) ordenou um julgamento por envolvimento na revolta de um grupo de militares no dia 30 de abril passado, sob a liderança de Guaidó, reconhecido presidente interino por mais de 50 países.

A pedido do TSJ, a Constituinte suspendeu na terça-feira a imunidade parlamentar de Zambrano.

O próprio parlamentar tuitou que patrulhas do serviço de Inteligência (SEBIN) que seu veículo foi cercado diante da sede da Ação Democrática, partido de Zambrano.

"Fomos surpreendidos pelo SEBIN. Quando nos negamos a sair do nosso veículo, utilizaram um reboque para nos levar de modo forçado ao Helicoide", revelou Zambrano nas redes sociais.

Jornalistas da AFP observaram como o veículo foi rebocado para o Helicoide, a sede do SEBIN em Caracas.

Washington reagiu à prisão afirmando que foi "arbitrária, ilegal e indesculpável", e que Maduro e seus cúmplices são responsáveis diretos pela segurança de Zambrano.

Segundo o governo dos EUA, se Zambrano não for libertado imediatamente "haverá consequências".

A União Europeia (UE) pediu nesta quinta-feira a "libertação imediata" de Zambrano.

"A detenção do vice-presidente da Assembleia Nacional, Edgar Zambrano, pela polícia secreta venezuelana constitui outra flagrante violação da Constituição do país", denunciou a porta-voz de Relações Exteriores da UE, Maja Kocijancic, em um comunicado.

A UE pediu "respeito" aos direitos civis e à imunidade parlamentar de todos os membros da Assembleia Nacional, incluindo seu presidente Juan Guaidó.

- Pressão do Supremo -

Nesta quarta-feira, o TSJ elevou para dez o número de deputados opositores processados por apoiar a tentativa de revolta popular da semana passada, ao incluir outros três legisladores.

Os parlamentares Freddy Superlano, Sergio Vergara e Juan Andrés Mejía foram incluídos no grupo de legisladores acusados de traição à pátria, conspiração e rebelião civil, informou o TSJ.

Além de Zambrano, o Supremo já havia acusado pelos mesmos crimes outros seis deputados opositores pela tentativa de revolta militar de 30 de junho, liderada por Guaidó, reconhecido presidente interino por cerca de 50 países.

O TSJ comunicou a decisão sobre os três congressistas à Assembleia Constituinte, controlada pelo chavismo, para que retire sua imunidade parlamentar, como já fez com os outros sete parlamentares.

Além de Freddy Superlano, Sergio Vergara e Juan Andrés Mejía, o TSJ acusa de traição à pátria Zambrano, Luis Florido, Henry Ramos Allup, Richard Blanco, Marianela Magallanes, Simón Calzadilla e Amerigo De Grazia.

Vários deputados apoiaram o princípio de revolta, deflagrada diante da base aérea de La Carlota, em Caracas.

Os confrontos ocorridos devido à tentativa de revolta deixaram seis mortos e mais de 200 detidos, segundo o procurador-geral, Tarek William Saab.

A deputada Mariela Magallanes se refugiou na residência do embaixador da Itália em Caracas, enquanto seus colegas se afastaram de atividades públicas.

Magallanes receberá "a proteção e a hospitalidade de acordo com as convenções diplomáticas", assinalou o chanceler italiano, Enzo Moavero Milanesi, em um comunicado que condenou as medidas do Supremo.

"O medo não vai nos deter", afirmou Guaidó nesta quarta-feira em entrevista à AFPTV em La Guaira (30 km ao norte de Caracas).

"É a única estratégia que resta a um regime sem respostas ao povo (...). Só lhes resta gerar o medo".

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