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Dinamarca luta para impedir a mutação do vírus e Inglaterra volta ao confinamento

Vários pedestres cruzam a ligeiramente lotada Millennium Bridge, a ponte sobre o rio Tamisa em frente à Catedral de St. Paul, em 5 de novembro de 2020 no centro de Londres afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 05. novembro 2020 - 23:48
(AFP)

A Dinamarca anunciou nesta quinta-feira (5) o fechamento de uma região onde surgiu uma mutação do coronavírus em uma fazenda de visons, enquanto a Inglaterra iniciou seu segundo confinamento em uma Europa que vive uma "explosão" de infecções, segundo a OMS.

Em todo o mundo, a covid-19 causou mais de 1,2 milhão de mortes e infectou 48 milhões desde dezembro passado, de acordo com uma contagem realizada pela AFP nesta quinta-feira com base em dados oficiais. A Europa é a região onde o vírus avança mais rapidamente.

"Vemos uma explosão (...) Não faz sentido que tenha demorado apenas alguns dias para a região europeia registrar um aumento em mais de mil casos", explicou o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, em entrevista à AFP.

O rápido avanço da segunda onda fez da Europa a região mais afetada do mundo nesta quinta-feira, com 11,7 milhões de casos (293 mil deles óbitos), superando a América Latina e Caribe em infecções, que somam 11,4 milhões infectados e quase 407.000 mortos.

Como se isso não bastasse, acrescentou-se a preocupação com uma mutação do vírus na Dinamarca que poderia ameaçar a eficácia de uma futura vacina para a covid-19 em humanos.

O país nórdico anunciou nesta quinta-feira que, a partir desta noite, mais de 280 mil habitantes de sete municípios da região da Jutlândia (noroeste) terão que permanecer em suas localidades para evitar novas infecções por uma mutação do novo coronavírus no vison.

Mais de 15 milhões de visons serão sacrificados, após a descoberta da mutação do vírus, transmitido a 12 pessoas. "Os olhos do mundo nos observam", disse a primeira-ministra Mette Frederiksen.

No Reino Unido, o país europeu mais atingido pela pandemia com quase 48 mil mortes, os 56 milhões de habitantes da Inglaterra só podem, a partir desta quinta-feira e durante quatro semanas, sair de casa para comprar comida, ir ao médico, fazer exercícios ou ir trabalhar se não puderem trabalhar remotamente.

Depois de ter resistido a um segundo confinamento, o governo de Boris Johnson seguiu os passos de vizinhos como França e Irlanda.

- Relaxamento na América Latina e mais casos nos EUA -

Na América Latina, ao contrário da Europa, as medidas foram flexibilizadas. No Peru (911.787 casos e 34.671 mortes), país com a maior taxa de mortalidade do mundo com 107,27 mortes por 100 mil habitantes, as igrejas celebrarão missas e cerimônias a partir de 15 de novembro.

No Brasil, foram registrados 22.294 novos casos, totalizando 5.612.319, e 630 novos óbitos, elevando o total a 161.736.

No Equador, cada vez mais pessoas relaxam diante da pandemia, que levou cidades como Guayaquil a anunciar restrições para os fins de semana e as festas de final de ano, enquanto em Quito as aglomerações se multiplicavam, principal vetor de contágio.

No norte do continente americano, com 233.734 mortos, os Estados Unidos são o país mais afetado no mundo pela pandemia, que marcou a disputa pela Casa Branca entre o presidente Donald Trump e seu adversário democrata, Joe Biden.

E as infecções continuam. Os Estados Unidos registraram 100.000 novos casos e 1.112 mortes em um dia.

- Mais medidas na Europa -

Enquanto isso, as restrições continuam a aumentar na Europa.

Portugal, onde 70% da sua população já está confinada, será colocada em situação de emergência sanitária a partir de segunda-feira durante duas semanas, para permitir ao governo apertar as restrições, de acordo com um projeto de decreto presidencial anunciado nesta quinta-feira.

A Grécia se confinará a partir de sábado, durante três semanas, anunciou nesta quinta o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis.

Em Paris, confinada como o restante da França desde 30 de outubro, as autoridades municipais anunciaram novas restrições, que incluem o fechamento de algumas lojas que vendem bebidas alcoólicas e restaurantes que oferecem comida para viagem a partir das 22h00 "porque, em alguns casos, foram constatados abusos".

Advertindo que a segunda onda "é brutal e está se espalhando rapidamente", o diretor-geral da Saúde, Jérôme Salomon, disse nesta quinta-feira que nas últimas 24 horas foram registrados mais de 58 mil novos casos na França, que soma 1,6 milhão de casos.

Ao contrário do primeiro bloqueio, Grécia, Inglaterra, França e outros países europeus permitem que as escolas permaneçam abertas desta vez.

A Itália, ainda traumatizada com a primeira onda, adota a partir desta quinta-feira um toque de recolher entre 22H00 e 5H00, a princípio até 3 de dezembro. O país registra mais de 39.000 mortes e 750.000 contágios e tenta frear as segunda onda pandêmica.

Na Espanha, que supera 1,2 milhão de casos e registra quase 36.500 vítimas fatais, o governo é pressionado a seguir os outros países europeus e aplicar um confinamento domiciliar.

A Áustria adotou um toque de recolher noturno, a Polônia fechou bares e lojas e a Hungria retomou o estado de alerta.

O aumento das infecções na Europa frustrou as esperanças de uma rápida recuperação econômica. Segundo a Comissão Europeia, o PIB da Zona do Euro cairá 7,8% este ano e a recuperação em 2021 será menos forte do que o esperado, + 4,2%, contra + 6,1% estimados em julho.

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