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Coluna de fumaça após ataque israelense na Cidade de Gaza em 19 de agosto de 2014

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A trégua que vigorava nesta terça-feira na Faixa de Gaza foi interrompida após a retomada dos disparos de foguetes palestinos e ataques de retaliação de Israel, no momento em que os dois lados negociavam a extensão de um cessar-fogo.

Os disparos e ataques são os primeiros atos de guerra desde a noite de 13 de agosto, quando as duas partes em conflito se envolveram em uma breve demonstração de força. Mas o cessar-fogo estabelecido em 11 de agosto havia sido, em geral, respeitado desde então.

Não está claro se os disparos e os ataques desta terça-feira representam um acesso de raiva temporária ou se apontam para uma retomada dos combates que fizeram mais de 2.000 vítimas palestinas e cerca de 70 israelenses desde 8 de julho.

Mas estes novos episódios levaram Israel a ordenar a volta de seus emissários enviados ao Cairo para negociar com os palestinos para uma extensão de cessar-fogo, que expira à meia-noite desta terça-feira.

Segunda-feira, os dois lados haviam concordado, a pedido dos egípcios, estender por 24 horas a trégua. As negociações chegaram a ser retomadas nesta terça-feira antes dos disparos de foguetes.

Três foguetes disparados a partir de Gaza caíram durante a tarde em áreas não residenciais perto de Beersheva, a cerca de 40 km de Gaza, segundo uma fonte militar.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu ordenou imediatamente o seu exército retaliar e "atingir alvos terroristas na Faixa de Gaza".

Imediatamente, o exército atacou uma área perto de Beit Lahiya, no norte da Faixa de Gaza, segundo testemunhas e as forças de segurança palestinas.

Tensão aumenta em Gaza

Por enquanto, não houve relato de vítimas.

O território costeiro palestino, onde dezenas de milhares de casas foram destruídas pelos bombardeios e onde milhares de famílias sobrevivem em condições extremamente precárias, a tensão aumenta a cada nova expiração de uma trégua.

Milhares de palestinos fugiram dos bairros da parte leste da cidade de Gaza por medo da retomada dos ataques israelenses. Um jornalista da AFP viu centenas deles tentando conseguir abrigo em escolas da ONU transformadas em refúgios.

As armas voltaram a falar, enquanto não há evidências sobre o que as conversas no Cairo podem produzir​.

Os palestinos -representados no Cairo por uma delegação que inclui membros do Hamas, da Jihad Islâmica e da Organização de Libertação da Palestina (OLP) - reiteraram que não assinariam qualquer acordo que não inclua a suspensão do bloqueio israelense à Gaza.

Retorno da Autoridade Palestina

Já os israelenses insistem na desmilitarização do reduto.

A proposta apresentada pelo Egito preconiza um acordo sobre os pontos menos sensíveis. Assim, a zona de pesca dos habitantes de Gaza seria alargada de três a 12 milhas náuticas, os pontos de passagem seriam reabertos, as zonas tampão no interior do território desapareceriam e Israel ajudaria na ajuda humanitária e reconstrução da área.

A chave para este acordo se baseia em um ponto: a gestão da segurança e de novas discussões seriam confiadas à Autoridade Palestina.

Israel diz regularmente que só discutirá com a Autoridade Palestina. Rivais históricos, o Hamas e a OLP assinaram recentemente um acordo de reconciliação e formaram um governo de unidade. Se a oferta egípcia for aceita, isso significaria o retorno da Autoridade Palestina à Gaza.

O seu presidente, Mahmud Abbas, deve se reunir na quarta-feira em Doha com o emir do Qatar, grande aliado do Hamas, Khaled Meshaal, e o líder exilado do Hamas.

Porto e aeroporto, pomo da discórdia

As questões mais polêmicas, como a abertura de um porto e um aeroporto, à qual os israelenses se opõem, ou a devolução dos corpos de dois soldados israelenses mortos em troca da libertação de prisioneiros palestinos, seriam discutidas em um mês.

Uma fonte palestina próxima às negociações disse à AFP que "as negociações falharam na noite de ontem, porque os israelenses se recusaram a incluir o porto e aeroporto no acordo".

"Os egípcios acrescentaram a cláusula que prevê o adiamento do debate sobre esta questão para evitar que Israel não apresentasse a questão das armas e foguetes", acrescentou.

Israel tenta "ganhar tempo", denunciou o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri. "O Hamas está pronto para enfrentar todas as possibilidades", acrescentou, enquanto Daud Shihab, porta-voz da Jihad Islâmica, advertiu que "a intransigência israelense está forçando os palestinos e a "resistência a fazer valer o seu direito de se defender."

AFP