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Estudantes participam de manifestação, em Santiago, no dia 14 de maio de 2015

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Após modificar seu gabinete, na tentativa de retomar o controle de um governo salpicado por escândalos de corrupção, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, enfrentou a pressão dos estudantes que marcharam nesta quinta-feira pedindo uma ingerência maior na reforma educacional, em protestos que deixaram dois estudantes mortos.

Os estudantes, de 18 e 24 anos, morreram atingidos por disparos feitos por outro jovem, de 22 anos, que morava em uma casa que o grupo de manifestantes tentava pichar e colar panfletos ao final do protesto em Valparaíso, 120 km a oeste de Santiago.

O autor dos disparos foi detido, confirmou a polícia.

"Condenamos todo tipo de violência e lamentamos a morte destes dois jovens", disse o ministro do Interior, Jorge Burgos, em uma declaração no palácio do governo, qualificando o incidente de um "ato delitivo".

Milhares e milhares de estudantes se reuniram em Valparaíso, Santiago e outras cidades do país para exigir de Bachelet uma participação maior na reforma educacional.

Em Santiago, concentraram-se 150.000 estudantes, segundo os organizadores, e 50.000, segundo a polícia. Ao final da manifestação, pessoas com o rosto coberto enfrentaram a polícia, como costuma ocorrer neste tipo de protesto no Chile.

Com o rosto coberto, os manifestantes atiraram paus e pedras na polícia que, em grande número, resguardava desde cedo o centro de Santiago, constatou a AFP. Confrontos similares ocorreram em outras cidades do Chile, como Valparaíso e Concepción (sul).

"Não estão nos ouvindo para fazer a reforma. Queremos ser escutados. Estamos muito desiludidos, sempre é a mesma coisa e as reformas paralisam antes de conseguir algo bom de verdade", disse à AFP María José, uma estudante de 17 anos que marchava ao lado do namorado na Avenida Alameda, no centro de Santiago.

Ao ritmo de tambores e em meio a um clima festivo, os estudantes foram às ruas quatro dias depois de Bachelet mudar grande parte de seu gabinete, entre eles seu chefe de gabinete e o titular da Fazenda.

Com esta manobra, Bachelet tentou tomar as rédeas do governo, depois de semanas de inatividade devido ao eco dos comentados casos de suposta corrupção política, um dos quais envolve seu próprio filho e fez desabar a popularidade da presidente a um mínimo histórico de 29%.

Os estudantes querem apressar a ambiciosa reforma educacional, cuja promessa valeu a reeleição a Bachelet.

AFP