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Em plena pandemia, presidente do Conselho Europeu de Pesquisa renuncia

Membro de equipe científica trabalha em um laboratório pesquisando o coronavírus no Instituto Pasteur, em Dacar, em 3 de fevereiro de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 08. abril 2020 - 10:40
(AFP)

O presidente do Conselho Europeu de Pesquisa, uma agência da UE, renunciou, criticando a resposta da União à nova pandemia de coronavírus, depois que todos os seus colegas pediram sua demissão.

O italiano Mauro Ferrari anunciou sua demissão em uma carta ao jornal britânico "Financial Times", na qual explica "ter perdido a fé no sistema".

A Comissão Europeia confirmou nesta quarta-feira a renúncia, que aconteceu na terça, 7 de abril, e que "entra em vigor imediatamente conforme solicitado", segundo um porta-voz do Executivo europeu.

O Executivo europeu disse "lamentar" a saída do professor "no início do mandato e nestes tempos de crise sem precedentes, onde o papel da pesquisa europeia é essencial".

O órgão ressaltou que o próprio Mauro Ferrari havia acabado de passar por um votação de confiança do restante do conselho científico do CER.

Natural da Itália, o professor Mauro Ferrari fez carreira nos Estados Unidos em várias áreas de pesquisa. É considerado pioneiro em nanomedicina.

O professor passou apenas três meses no cargo - seu mandato começou em 1º de janeiro.

Em sua carta, ele afirma que a estratégia que desenvolveu para apoiar a pesquisa em face da pandemia de COVID-19 foi rejeitada pelo conselho científico do CER.

"Fiquei claramente decepcionado e profundamente perturbado com essa rejeição unânime", escreveu na carta, publicada na íntegra pelo FT.

Segundo ele, a rejeição de sua estratégia foi justificada pelo fato de que a missão do CEE é apoiar projetos sem dar diretrizes sobre os objetivos, ou sobre as áreas de pesquisa.

Ele então explica que teve a oportunidade de trabalhar diretamente com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, mas que o fruto de suas reflexões havia sido "anulado" pelos vários níveis administrativos.

Poucas horas após o anúncio de Mauro Ferrari, o Conselho Europeu de Pesquisa publicou um comunicado muito crítico a seu ex-presidente, afirmando que os 19 membros do conselho científico da agência pediram por unanimidade sua renúncia em votação em 27 de março.

"Lamentamos a declaração do professor Ferrari, que é, na melhor das hipóteses, econômica com a verdade", diz o comunicado assinado pelo conselho científico do CER.

Eles desenvolvem quatro pontos que orientaram o pedido de renúncia: a "falta de apreciação da razão de ser do CER" por parte do professor Ferrari; sua "falta de compromisso"; suas "iniciativas pessoais" sem consulta ao conselho científico; ou seu envolvimento em "várias empresas externas, algumas acadêmicas, outras comerciais".

"Ele não compreendeu o contexto do CEE no âmbito do programa de pesquisa e inovação da UE, Horizonte 2020", resume o conselho.

A Comissão enfatizou ainda que outros programas científicos deste órgão eram mais relevantes para responder à pandemia.

"A missão do ERC é apoiar o desenvolvimento de pesquisas de longo prazo, enquanto outras partes do Horizon 2020 (...) estão mais bem equipadas para enfrentar desafios imediatos", disse o porta-voz Johannes Bahrke.

Ele acrescentou que 50 projetos do CER, em andamento ou já finalizados, participam da luta contra a pandemia.

Criado em 2007, o Conselho Europeu de Pesquisa tem um orçamento de 13 bilhões de euros para o período 2014-2020.

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