Navigation

Equador alerta Assange que não o deixará 'faltar com a verdade'

Julian Assange antes de falar com a imprensa, na sacada da Embaixada do Ecuador em Londres, em 19 de maio de 2017 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 30. outubro 2018 - 18:41
(AFP)

O Equador exigiu, nesta terça-feira (30), que Julian Assange, asilado em sua embaixada em Londres, respeite sua soberania e alertou que "não permitirá" que ele falte com a verdade, após o criador do WikiLeaks acusar Quito de planejar sua extradição para os Estados Unidos.

Quito "não permitirá afirmações ou insinuações gratuitas que faltem com a verdade sobre a conduta do Governo Nacional no tocante ao asilo diplomático que lhe foi outorgado", indicou a chancelaria em um comunicado.

"O Equador demandará do asilado o respeito à soberania e ao bom nome do país", acrescentou.

Assange se referiu nesta segunda-feira a uma suposta estratégia entre Quito e Washington para sua retirada do asilo e sua entrega aos Estados Unidos.

O criador do WikiLeaks participou por videoconferência de uma audiência realizada em Quito, na qual a Justiça rejeitou a ação constitucional de Assange para a suspensão de normas impostas pelo Equador para suas visitas, comunicações e salubridade em seu asilo na Embaixada equatoriana em Londres.

O australiano teme ser extraditado para os Estados Unidos por difundir milhares de documentos oficiais sigilosos através de seu site.

A Justiça do Reino Unido mantém uma ordem de prisão contra Assange, de 47 anos, por não cumprir obrigações de sua liberdade condicional quando era acusado de delitos sexuais cometidos na Suécia, onde os processos não foram à frente.

- Sem interferências -

Na ação de proteção, rejeitada em primeira instância, Assange defendeu o restabelecimento de suas telecomunicações, cortadas desde março pelo Equador, e que se deixe de aplicar um protocolo de convivência na delegação, cujo descumprimento levará ao "fim do asilo".

A defesa do criador do WikiLeaks apelou da decisão, e nos próximos dias um tribunal superior vai julgar o caso em última instância.

A chancelaria destacou que, no protocolo, em vigor desde meados de outubro, as comunicações de Assange são estabelecidas por meio de acesso ao wifi da embaixada.

Mas, além disso, "ele é advertido de que, em sua condição de asilado e de acordo com os tratados internacionais que regem o caso, não poderá fazer nenhum tipo de declarações, difusões ou pronunciamentos que interfiram com outros Estados, ou que podem afetar os interesses do Equador", indicou a pasta.

Quito tinha cortado todas as telecomunicações de Assange com o exterior da Embaixada depois de ele criticar o governo espanhol por suas ações contra os separatistas da Catalunha.

Após a audiência de segunda-feira, o procurador-geral equatoriano, Íñigo Salvador, disse à imprensa que Assange "pretende que o protocolo responda a supostas influências de potências estrangeiras sobre o governo" do Equador.

Quito "dita suas leis e regulações sobre a base do interesse público, e não sobre nenhum tipo de interesses de potências estrangeiras", acrescentou.

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.