Navigation

Equador denuncia governo de Correa por superfaturamentos bilionários

Presidente do Equador, Lenín Moreno, durante Fórum de Doha, em 15 de dezembro de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 04. janeiro 2019 - 03:17
(AFP)

O Equador apresentou nesta sexta-feira (4) denúncias contra o governo do ex-presidente Rafael Correa (2007-2017) por suspeita de superfaturamento de pelo menos 2,45 bilhões de dólares na área petroleira, auditada com o apoio da ONU.

"Avaliação da ONU confirma o sobrepreço e irregularidades em cinco projetos petroleiros do regime anterior", afirmou pelo Twitter o presidente Lenín Moreno, ex-aliado e ex-vice-presidente de Correa entre 2007 e 2013.

"Hoje apresentamos denúncias à Procuradoria do Equador e à Controladoria. A luta contra a corrupção é frontal!", acrescentou.

O secretário particular da Presidência, Juan Sebastián Roldán, e o ministro da Energia, Carlos Pérez, foram a essas entidades fazer a denúncia sobre supostas irregularidades.

O governo de Moreno mantém um acordo anticorrupção com as Nações Unidas, que participou da auditoria de cinco grandes obras petroleiras impulsionadas pelo governo de Correa, que desde 2017 mora na Bélgica e é considerado fugitivo pela Justiça nacional.

O governo deixou cerca de 2.500 folhas para que a Controladoria "possa analisar a informação e tomar as ações que julgar pertinente", acrescentou.

Após receber os resultados das auditorias a cargo de empresas da Espanha, Estados Unidos e Reino Unido, contratas por meio de licitação do Pnud, Moreno denunciou o suposto prejuízo milionários aos cofres públicos na noite de quinta-feira pelo rádio e pela TV.

"As conclusões são tão vergonhosas e escandalosas", afirmou o governante, indicou que foram gastos 4,9 bilhões de dólares nos cinco projetos, "quando deviam custar apenas metade, ou menos", e que "este assalto a fundos públicos não pode ficar impune".

- 'Mente e confunde' -

A reabilitação da principal refinaria equatoriana demandou 2,23 bilhões de dólares, frente a um orçamento inicial de 754 milhões.

Correa, que vive em autoexílio na Bélgica e enfrenta ordem de prisão para ser julgado no Equador pelo sequestro de um opositor em 2012, reagiu à denúncia.

"Que lástima que não possa criticar obras de Moreno, porque não fez nenhuma! Com sua má-fé, ele mente e confunde supostos problemas - em milhares de obras feitas por meu governo - com corrupção", afirmou o ex-presidente pelo Twitter.

"Se houver corrupção, que seja punida, mas sem tanto show", criticou.

Correa afirmou que "é claro que pode haver problemas" em alguns dos projetos executados durante seu governo de uma década e que "não acabarei de pedir desculpas à Pátria e à história pela pior de minhas obras", referindo-se ao apoio à candidatura de Moreno à Presidência.

O chefe de Estado anunciou um pedido para a ONU investigar também a gestão de recursos da previdência social e para a construção de hidroelétricas e de outras obras consideradas emblemáticas do governo Correa.

Cinco ex-funcionários de Correa já foram julgados por corrupção, como o ex-vice-presidente Jorge Glas, condenado em primeira instância a seis anos de prisão por receber 13,5 milhões de propinas da brasileira Odebrecht.

Moreno e Correa vivem uma disputa de poder que levou a uma crise do governo.

Uma comissão cívica estimou que na década da gestão de Correa, os casos de corrupção alcançaram 24,742 bilhões de dólares.

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.