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A Rússia corre o risco de enfrentar um crescente isolamento após o desastre do Boeing da Malaysia Airlines, enquanto a opinião pública ocidental se volta contra o presidente russo Vladimir Putin, que também poderia enfrentar críticas em casa, acreditam os especialistas

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A Rússia corre o risco de enfrentar um crescente isolamento após o desastre do Boeing da Malaysia Airlines, enquanto a opinião pública ocidental se volta contra o presidente russo Vladimir Putin, que também poderia enfrentar críticas em casa, acreditam os especialistas.

A queda do avião civil malaio, provavelmente atingido por um míssil, e a morte de seus 298 passageiros no leste da Ucrânia, em uma zona de combates entre rebeldes pró-russos e as forças de Kiev, é um marco nesta crise que já dura oito meses, e que poderia ter consequências políticas e econômicas imprevisíveis para a Rússia.

"Vemos um grande choque entre a Rússia e o Ocidente. O isolamento da Rússia irá se agravar de forma consistente", declarou à AFP Yuli Nisnevitch, da Escola de Estudos Avançados em Economia de Moscou.

A queda do avião da Malásia causou indignação em todo o mundo, com Washington acusando diretamente os rebelde pró-russos de serem responsáveis pela tragédia.

A Rússia rejeita as acusações americanas, ressaltando que Washington tirou conclusões antes mesmo de uma investigação.

O vice-ministro russo da Defesa, Anatoly Antonov, afirmou no sábado que a Rússia era vítima de uma guerra de desinformação.

"Eu acredito que se a investigação incriminar Moscou, mesmo que indiretamente, a Rússia negará a sua responsabilidade", assegura o economista russo, residente em Paris, Sergei Gouriyev.

"Se a investigação acusar a Rússia, isso seria um desastre para o país", acredita por sua vez o analista político independente Yevgeny Gontmakher.

Nos passos do Irã?

Para além da responsabilidade de um ou outro lado em conflito, os analistas consideram que o abismo da incompreensão entra a Rússia e o Ocidente só aumentará.

"A situação só vai piorar", explica Gontmakher, acreditando que a Rússia poderia acabar isolada como o Irã. "Eu temo que estejamos nos movendo nessa direção".

Se a investigação apontar a responsabilidade de Moscou, Vladimir Putin também estará propenso a enfrentar uma onda de críticas na Rússia, o que representaria um revés para a sua popularidade em alta.

A morte de 298 pessoas "pode ser o começo do fim para o presidente russo", assegura o jornalista da oposição Ivan Iakovina no site Novoye Vremya.

Alguns comentaristas chegam a traçar um paralelo com o regime do ex-líder líbio Muammar Khaddafi, o instigador do ataque que causou a explosão do voo 103 da Pan Am sobre a cidade escocesa de Lockerbie, em 1988, matando 270 pessoas.

A crítica do Kremlin Yulia Latinina chamou a tragédia do voo da Malásia de "um segundo Lockerbie" durante entrevista a rádio Echos de Moscou.

"É claro que a Rússia não é a Líbia", escreveu por sua vez o jornalista Maxime Samoroukov no site do jornal online Slon.ru, acrescentando que um isolamento completo seria difícil de impor a Moscou por causa de sua sede permanente no Conselho de Segurança da ONU e de seus aliados na Ásia e na América do Sul.

"Dito isso, não há necessidade de todo os países decretar um embargo contra a Rússia. Aqui, mesmo a neutralidade da China não vai ajudar", prenuncia.

Um golpe duro para a imagem da Rússia

Além da investigação, os especialistas acreditam que a tragédia tem sido muito prejudicial para a imagem da Rússia no exterior.

O primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, declarou implicitamente no sábado que o presidente russo não seria bem-vindo a cúpula do G20 em novembro na Austrália, caso não coopere com a promoção da boa condução do inquérito sobre o acidente.

A participação da Rússia nas reuniões do G8 já havia sido suspensas após a anexação da Crimeia em março, e a cúpula que deveria ocorrer após os Jogos Olímpicos de Sochi no início de junho foi cancelada.

De acordo com especialistas, os chefes de Estado europeus, até então muito divididos sobre como lidar com a Rússia, poderiam aderir a linha adotada pelos Estados Unidos com sanções mais duras.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que o Ocidente deveria "modificar fundamentalmente sua abordagem" em relação a Rússia.

AFP