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Tom Frieden, diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), durante apresentação de duas horas ao subcomitê de Energia e Comércio da Câmara dos Deputados.

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O diretor da agência federal de Saúde Pública admitiu nesta quarta-feira a existência de uma sequência de erros de segurança, depois de perigosas falhas na gestão de amostras de gripe e antraz.

"Penso que não respeitamos um critério básico", disse Tom Frieden, diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), durante apresentação de duas horas ao subcomitê de Energia e Comércio da Câmara Baixa.

Existe "uma cultura insuficiente de segurança", acrescentou.

Na semana passada, o CDC admitiu cinco incidentes ocorridos nos últimos 10 anos - dois dos quais em meses recentes - nos quais foram enviadas amostras de antraz, gripe, botulismo e uma bactéria conhecida como brucella a outros laboratórios, sem seguir os procedimentos apropriados de desativação.

Não há informação de danos causados por estes erros, mas os mesmos demonstram uma importante violação dos protocolos aos quais está submetido o CDC, considerado mundialmente uma agência líder no setor da saúde.

"Embora tenhamos cientistas que estão entre os melhores do mundo em sua especialidade, nem sempre aplicaram o mesmo rigor que empregam em seus experimentos científicos, para melhorar a segurança", disse Frieden.

- Antraz em sacolas de comida -

Os incidentes incluem a contaminação de um tipo de gripe benigna com a perigosa gripe das aves H5N1, em uma amostra enviada a um laboratório avícola do Departamento de Agricultura (USDA). O fato foi informado à direção do CDC seis semanas depois de ocorrer.

Outro problema detectado foi a potencial exposição ao antraz de dezenas de funcionários do CDC de Atlanta no começo de junho, com amostras que não foram acondicionadas e desativadas corretamente antes do envio.

O CDC emitiu um informe na sexta-feira no qual detalha outros três erros laboratoriais, dois em 2006, relacionando antraz ativo e botulismo, e outro em 2009 com brucella, um tipo de bactéria que pode causar a doença infecciosa brucelose (ou febre de Malta).

A descoberta, no começo do mês, de seis tubos esquecidos de varíola em outro laboratório federal dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) também dispararam os alarmes sobre a possibilidade de que agentes biológicos perigosos possam ser usados como armas por terroristas.

Desde então, uma investigação independente realizada pelo USDA revelou mais problemas no CDC, segundo memorando sobre o informe, publicado esta semana pelo Congresso.

A investigação provou o desaparecimento de contêineres de antraz, que deviam ser controlados por inspetores, que alguns materiais eram transportados usando unicamente sacolas de alimentos e que amostras de antraz eram armazenadas em refrigeradores sem ferrolho com corredores de livre circulação para os funcionários.

O CDC decidiu pelo fechamento de dois laboratórios e suspendeu o envio de agentes perigosos a partir de suas instalações até que se conclua a profunda revisão dos procedimentos utilizados.

Frieden disse ter indicado uma pessoa para controlar especificamente a segurança e nomeará um comitê interno para revisar os procedimentos atuais, assim como um grupo assessor externo para estabelecer critérios para prevenir a repetição destes perigosos incidentes.

AFP