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Ex-policial da ditadura chega extraditado à Argentina

O ex-policial argentino Mario Sandoval (C) é conduzido por policiais ao chegar ao Aeroporto de Ezeiza procedente da França. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 16. dezembro 2019 - 13:19
(AFP)

O ex-policial argentino Mario Sandoval chegou nesta segunda-feira a Buenos Aires em um voo comercial extraditado da França para ser julgado pelo desaparecimento de um jovem em 1976 durante a ditadura.

Sandoval, 66 anos, residia na França desde 1985 e era requisitado pela justiça argentina desde 2012 apenas pelo desaparecimento de um estudante, mas sob suspeita de participação em centenas de outros casos de tortura e morte durante a ditadura (1976-1985).

O acusado chegou escoltado em um voo comercial na manhã desta segunda-feira ao Aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, constatou a AFP.

O juiz federal argentino Sergio Torres solicitou sua extradição no âmbito do caso ESMA, que investiga cerca de 800 casos de desaparecimentos na antiga Escola de Mecânica da Marinha, o maior centro de detenção clandestino durante a ditadura e por onde teria passado cerca de 5.000 foram prisioneiros.

Na Argentina, ele será julgado pelo desaparecimento do estudante de arquitetura Hernán Abriata, que foi preso em uma operação liderada por Sandoval em sua casa em Buenos Aires, em outubro de 1976.

De acordo com a esposa e os pais de Abriata, o jovem foi preso sob pretexto de um "procedimento de rotina".

Testemunhos de sobreviventes indicaram à justiça que Abriata estava em cativeiro na ESMA.

Sandoval foi retratado como um cruel torturador por sobreviventes, e tinha o apelido de "churrasco" por seu método de torturar prisioneiros com descargas elétricas.

A chancelaria argentina destacou que a extradição foi resultado de uma "bem sucedida cooperação internacional".

"A extradição do Sr. Sandoval ratifica o caráter da política de Estado que a Argentina confere ao julgamento das violações dos Direitos Humanos".

Sandoval esgotou na França recursos em todas as instâncias para impedir sua extradição, incluindo uma apresentação no Tribunal Europeu de Direitos Humanos (CEDH), que foi rejeitado na sexta-feira.

O homem se exilou na França após a queda da Junta Militar em 1983 e obteve nacionalidade francesa em 1997. Isso não impediu sua extradição, já que não era francês à época dos fatos.

Na Argentina, onde a ditadura deixou 30.000 desaparecidos, mais de 3.000 pessoas são acusadas em processos por crimes contra a Humanidade desde a anulação de leis de anistia em 2003.

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