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Ex-prefeito e ex-senador disputam presidência do Uruguai

Os principais candidatos à presidência do Uruguai afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 24. outubro 2019 - 21:18
(AFP)

O ex-prefeito de Montevidéu Daniel Martínez, da governista Frente Ampla (esquerda), e o ex-senador Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional (centro-direita) são os favoritos nas eleições eleições presidenciais do próximo domingo no Uruguai.

No pleito que vai definir o sucessor do esquerdista Tabaré Vázquez a partir de 1º de março, e que no qual os uruguaios também vão se pronunciar sobre uma reforma de segurança que prevê a criação de uma guarda nacional militarizada para fazer tarefas policiais, a situação disputa o quarto mandato consecutivo.

Apesar de um contexto de estagnação econômica, desemprego de quase 9%, inflação de 7,76% ao ano, acima do teto da meta oficial, e com um panorama de segurança em franca deterioração, a Frente Ampla conseguiu uma recuperação nas pesquisas nas últimas semanas, que a situam na liderança com 40% das intenções de voto.

É seguido pelo Partido Nacional, liderado por Lacalle Pou em sua segunda tentativa de chegar à Presidência. O mais jovem dos candidatos com chances de chegar ao governo tem 28% das preferências do eleitorado e aposta em formar uma coalizão de partidos opositores que lhe dê governabilidade se chegar ao poder.

- O peso do passado -

Os cenários não poderiam ser mais diferentes para Martínez e Lacalle Pou.

Depois de 15 anos no poder, com a renúncia do vice-presidente Raúl Sendic em 2017 - processado por propina e abuso de funções -, a esquerda governista não tem parceiros claros que lhe assegurem a vitória em um eventual segundo turno.

Enquanto isso, o ex-senador Lacalle Pou aposta no apoio do Partido Colorado (liberal, 13% nas pesquisas) e do novato Cabildo Abierto (direita, 11%).

Em seu discurso de encerramento de campanha na noite de quarta-feira, Lacalle Pou assegurou que, se chegar a disputar o segundo turno em 24 de novembro, seu partido não pode se desfazer de ninguém.

Martínez, ao contrário, não tem alianças claras, pois até mesmo partidos de centro-esquerda como o Partido Independente (social-democrata, 2% segundo as pesquisas) são duros críticos à gestão do governo e em particular com sua proximidade com o governo de Nicolás Maduro na Venezuela.

A Frente Ampla teve três governos durante os quais "não precisou de alianças" no Congresso por ter maioria absoluta, explica o cientista político Eduardo Bottinelli à AFP. "Não precisava de alianças parlamentares, nem as buscou" e "foi ficando sozinho", abunda.

- Uma eleição aberta -

Martínez, um engenheiro de 62 anos, e Lacalle Pou, advogado de 46, devem se enfrentar em um segundo turno.

Somados, os votos da oposição superam os da Frente Ampla, mas a transferência em um segundo turno não é automática, explica Bottinelli.

"O comportamento das pessoas não é exatamente igual ao voto do primeiro turno" e alguns eleitores que no domingo apoiarão candidatos opositores preferem o governista Martínez a Lacalle Pou, afirma.

Por isso, o "segundo turno está completamente em aberto" e haverá "concorrência".

As últimas pesquisas mostram favoritismo para o opositor Lacalle Pou em um segundo turno.

- A segurança na berlinda -

Além de votar nas chapas presidenciais, os uruguaios vão decidir sobre uma reforma constitucional de segurança que gerou polêmica, em um país que registrou um recorde de homicídios em 2018 (382), em alta de 35% com relação a 2017.

Embora nenhum dos candidatos à Presidência a apoie e tenha sido alvo de uma forte campanha contra por parte de movimentos sociais, sindicatos e da Frente Ampla, a maioria dos uruguaios (53%) se declaram favoráveis à proposta.

A reforma apresentada pelo senador do Partido Nacional Jorge Larrañaga, que coletou as assinaturas necessárias para ser submetida à votação no domingo, promove a criação de uma guarda nacional com efetivos militares em trabalhos policiais; a criação da prisão perpétua "revisável" a 30 anos para crimes graves; penas mais duras de prisão para homicidas e estupradores, e a autorização de batidas noturnas de lares por ordem judicial e em caso de suspeita de ilícitos.

Estão habilitados a votar no Uruguai 2,6 milhões de eleitores. O voto é obrigatório no país.

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