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Ex-presidente colombiano Álvaro Uribe é libertado por ordem de juíza

Um homem olha para um mural com a imagem do ex-presidente colombiano (2002-2010) Álvaro Uribe, em Bogotá em 21 de agosto de 2020. O ex-presidente colombiano teve sua liberdade concedida no sábado (10) por uma juíza de garantias. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 10. outubro 2020 - 15:11
(AFP)

Uma juíza ordenou, neste sábado (10), a "liberdade imediata" do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, 68, em prisão domiciliar há quase dois meses, enquanto avança o processo que o investiga por manipulação de testemunhas contra um senador opositor.

Em uma audiência pública virtual, a juíza de garantias Clara Salcedo derrubou a medida contra o ex-presidente (2002-2010) depois do pedido da defesa e com o apoio do Ministério Público.

"Em consequência, será ordenada a libertação imediata do Dr. Álvaro Uribe", determinou a magistrada. "Graças a Deus", celebrou o ex-presidente em mensagem no Twitter após ser informado da decisão.

A Corte Suprema havia ordenado em 4 de agosto a detenção de Uribe pelos supostos crimes de suborno e fraude processual. O máximo tribunal o investigava em sua qualidade de senador, em uma causa que poderia tê-lo levado a julgamento e, eventualmente, à prisão.

Uribe renunciou, porém, ao assento que ocupava no Senado desde 2014. Com isso, o processo foi encaminhado a um juiz de garantias, que revogou a prisão domiciliar e permitiu que ele se defendesse em liberdade.

Uribe lidera o Centro Democrático, partido no poder, e é mentor do atual presidente, Iván Duque. O ex-presidente terminou envolvido num imbróglio judicial. Em 2012, ele apresentou uma denúncia contra o senador opositor Iván Cepeda por suposto complô contra ele apoiado em falsos testemunhos.

Mas a Corte Suprema se absteve de julgar Cepeda e, em contrapartida, decidiu abrir em 2018 uma investigação contra o ex-presidente sob a mesma suspeita: manipular testemunhas contra seu opositor.

Após tomar conhecimento da decisão de libertar Uribe, Cepeda anunciou em vídeo publicado no Twitter que irá recorrer, e alegou que a promotoria não ofereceu "nenhuma garantia para os direitos das vítimas. Temos convicção da responsabilidade do ex-senador Uribe nos crimes de suborno e fraude processual", assinalou o parlamentar.

Segundo a defesa de Cepeda, Uribe quis manipular os paramilitares que ele havia contactado, para que mudassem sua versão e prejudicassem seu cliente.

- Mudança de juiz -

Uribe, que sempre alegou inocência, é o político colombiano mais influente do século e primeiro ex-presidente preso na história da Colômbia. Ele construiu boa parte de sua popularidade com uma política firme contra as guerrilhas de esquerda, em meio a um conflito armado de mais de meio século, que perdura.

O governo Uribe também foi manchado por violações dos direitos humanos e abuso da força pública em sua luta antisubversiva. Após a sua saída da presidência, Uribe liderou do Congresso as bandeiras da direita contrária ao acordo de paz assinado com a guerrilha das Farc em 2016.

Embora apenas o parlamento possa investigar ex-presidentes colombianos, Uribe caiu sob a jurisdição da Suprema Corte, a qual acusa de parcialidade. Ao renunciar ao Senado, o expediente contra Uribe ficou nas mãos do Ministério Público, que será encarregado de investigá-lo tanto por suposta ligação com paramilitares de ultradireita, quanto pelas manobras contra Cepeda.

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