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Expulsão de Battisti provoca elogios e críticas na Bolívia

O ex-ativista italiano de esquerda Cesare Battisti chega a Roma em 14 de janeiro de 2019. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 14. janeiro 2019 - 21:42
(AFP)

A expulsão do italiano Cesare Battisti da Bolívia para cumprir pena de prisão perpétua na Itália provocou elogios e críticas ao presidente Evo Morales, que tomou a decisão em menos de 24 horas, apesar de suas divergências ideológicas com os governos em Roma e Brasília.

Battisti, um ex-ativista de esquerda de 64 anos, foi condenado à revelia na Itália em 1993 por quatro homicídios e cumplicidade em outros assassinatos cometidos no final dos anos 70.

O italiano foi detido no sábado, em Santa Cruz, e extraditado no dia seguinte para a Itália, em operação coordenada com as autoridades brasileiras.

Battisti havia fugido da França para o Brasil em 2004, onde em 2009 obteve o status de refugiado. No ano seguinte, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou sua extradição para a Itália.

Após a extradição expressa de Battisti, na Bolívia surgiram críticas de setores de esquerda aliados a Morales.

Raúl García Linera, irmão do vice-presidente Álvaro, chamou de "contrarrevolucionária" a decisão de expulsar o italiano, o que qualificou de ato "injusto, covarde e reacionário".

"Hoje os interesses do Estado ficaram acima da moral revolucionária, da prática revolucionária. Estamos entregando um detido (Battisti) que solicitou refúgio, como vil mercadoria...", disse Raúl García Linera.

Os irmãos Alvaro e Raúl García Linera integraram em meados de 1992 um grupo armado indigenista na Bolívia.

"Isto viola os direitos de Cesare Battisti, entregá-lo ao Brasil ou Itália. O custo político será alto para o governo boliviano", afirmou outro aliado de Morales, o ex-ministro do Interior Hugo Moldiz.

O líder do grupo jovem do partido governista MAS, Rolando Cuéllar, declarou que a expulsão "é como se tivessem capturado Che Guevara e o entregado à direita".

Cuéllar chamou o poderoso ministro do Interior, Carlos Romero, de "judas".

Paradoxalmente, Morales - que tentará uma discutida reeleição em outubro - não se pronunciou sobre o caso Battisti e recebeu diversos cumprimentos por parte da oposição.

"Digo sem ódio e com firmeza que a Bolívia não pode ser refúgio de assassinos e terroristas", declarou o empresário e líder opositor Samuel Doria Medina, sequestrado em 1995 por 45 dias pela guerrilha peruana MRTA, que o libertou em troca de dinheiro.

O sociólogo e analista Carlos Borth disse à AFP que a decisão de Morales busca passar uma mensagem à União Europeia. "Trata-se de uma decisão para não abrir mais frentes de conflito no cenário internacional, especialmente com a União Europeia".

Já o analista em temas internacionais Francisco Solares declarou ao jornal El Deber que La Paz pensou em suas relações com o Brasil e quis enviar uma mensagem a Bolsonaro "de que é possível trabalhar de maneira conjunta".

O Brasil é o principal mercado para o gás boliviano.

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