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Fantasma do passado alemão marca debate sobre vacinação contra covid-19

A decisão sobre os grupos prioritários para receber as vacinas contra o coronavírus é um debate delicado na Alemanha dadas as práticas das ditaduras nazista e comunista que decidiam quem deveria viver ou morrer afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 08. dezembro 2020 - 17:09
(AFP)

A Alemanha se prepara para iniciar a vacinação contra o coronavírus e paralelamente surgiu um debate ético sobre quem deveria ser prioridade, em um país ainda atormentado pelos fantasmas do passado nazista e da ditadura comunista onde o Estado decidia quem deveria viver ou morrer.

As empresas, entre elas o laboratório alemão BioNTech, apostam no uso generalizado das vacinas contra a covid-19, mas as autoridades alertaram reiteradamente que não haverá doses suficientes neste inverno para os 80 milhões de habitantes.

Então, quem decide quais serão os grupos prioritários na hora de se vacinar? Os políticos ou os cientistas? A resposta é delicada.

O governo da chanceler Angela Merkel recorreu ao Conselho de Ética alemão, um órgão independente que oferece assessoria sobre questões científicas e morais, para decidir como será feita a imunização, provavelmente no início do ano.

"Existe uma forte aversão na Alemanha, vinculada claramente às experiências dos regimes totalitários até 1989, sobre a regulação ou a distribuição de bens pelas autoridades do Estado", explica Wolfram Henn, geneticista da Universidade de Saarland e membro do Conselho de Ética.

"É por isso que o governo, e especialmente a chanceler Merkel e o ministro da Saúde Jens Spahn, têm interesse em apresentar argumentos científicos neutros a favor da administração" da vacina, disse Henn à AFP.

Alguns opositores às restrições pelo coronavírus já se compararam com as vítimas dos nazistas, enquanto o líder do partido de extrema direita AfD, Alexander Gauland, chamou o governo de Merkel de "Ditadura do corona". Alegações que lhes renderam uma condenação generalizada.

Os 26 membros do Conselho de Ética, que são especialistas nos campos da ciência, do direito, da teologia e da economia, trabalharam junto com os cientistas para desenvolver uma estratégia.

Apresentaram em novembro suas recomendações em um documento conjunto com cientistas do Instituto Leopoldina e do Instituto Robert Koch (RKI), responsável pelo controle e prevenção de doenças infecciosas.

O relatório recomenda dar prioridade aos idosos e a quem possui doenças crônicas - especialmente as pessoas que estão em centros de cuidado -, seguidas pelos profissionais da saúde e outros trabalhadores que estão na linha de frente, como policiais e professores.

Para isso, os especialistas levaram em consideração "critérios éticos e epidemiológicos".

Os residentes de centros de saúde foram escolhidos em parte porque "são as pessoas que mais sofreram nos últimos meses", segundo Henn.

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